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Testamos/Aventura

Bucolismo e adrenalina na medida

Vôo de balão, rapel, arvorismo e outras aventuras movimentam a programação de hotel fazenda próximo à capital paulista

Um sutil solavanco e o chão começa a ser visto em perspectiva, distanciando-se mais e mais. A suavidade da decolagem é tamanha que se torna difícil acreditar que realmente estamos dentro de um balão, numa manhã límpida e com vento favorável. Em questão de minutos, as dimensões verdadeiras de tudo que havia embaixo vão sendo reduzidas. O Hotel Fazenda & Resort Pitangueiras, em Sorocaba, de onde alçamos vôo, fica parecendo uma casa de bonecas. Depois da vibração inicial, um silêncio contemplativo toma conta dos aventureiros a bordo. Nada mais adequado: certas experiências requerem um pouco de solenidade.

Seis adultos, uma criança e o piloto estão acomodados no cesto de vime dividido em três compartimentos. O meio é reservado ao homem responsável pelo sucesso da viagem: Ricardo Martins, 42 anos e 11 como piloto de balões de ar quente. Antes da partida, ele explica ao grupo como proceder durante o percurso, com duração prevista de uma hora. Sua segurança é tamanha que mesmo os menos afeitos à altura se convencem de que trocar o medo pela experiência de voar é o melhor negócio. A cerca de 1.300 metros de altitude – e diante do belo cenário que se descortina – ninguém mais duvida de que fez a coisa certa.

O passeio de balão é um dos grandes atrativos oferecidos pelo hotel-fazenda, que fica a 90 quilômetros de São Paulo. Quem ultrapassa o grande portão de ferro já tem uma idéia do que vai encontrar. Num cercado, dois belos cavalos passeiam livremente. Quase ao lado, baias guardam vários outros, destinados aos hóspedes. Originalmente, a área abrigava um grande haras. A vocação para o turismo veio depois. Além dos afeitos aos esportes de aventura, o Pitangueiras costuma receber convenções de executivos, festas e casamentos. E para quem não deseja passar todo o fim de semana no campo, o hotel oferece o Day Use, preço especial para entrada às 9 e saída às 18 horas, com direito a usar as instalações e o restaurante.

Mas o diferencial do hotel são mesmo os esportes de aventura e uma volta inicial de reconhecimento vai revelando as opções. Depois de percorrer o grande gramado vizinho à piscina maior, que com seu fundo infinito oferece um apelo irresistível às máquinas fotográficas, uma estradinha conduz à represa. Pelo caminho, no pasto, vacas, bois, bezerros e, num cercado, dois casais de emas. As criaturas pernaltas, cujos imensos olhos parecem não perder nenhum movimento dos turistas, são outra parada obrigatória para cliques. Da ponte de madeira sobre a represa, uma visão de novela: capivaras atravessando as águas tranqüilamente.

#I1# De cabeça para baixo

É neste cenário que o bucolismo dá lugar à adrenalina. Uma construção de madeira de vários níveis coloca o turista de cara com o primeiro desafio: se pendurar num grosso cabo que o levará cerca de 30 metros adiante, voando sobre a represa. A tirolesa é democrática em seu apelo: atrai crianças e marmanjos. Devidamente protegidos com capacete, os neófitos em esportes radicais fazem a primeira travessia tomados de um certo respeito. Vencido o desafio alguns já começam a ousar se pendurando de cabeça para baixo e tentando molhar a mão na água que serve de colchão.

Da torre de madeira parte outra aventura: o arvorismo. Além de não poder ter medo de altura, o candidato a viver seu momento Tarzã precisa de algum equilíbrio. As madeirinhas que perfazem um caminho no nível das copas balançam exigindo juntas firmes e fortes. Outra possibilidade é testar a musculatura subindo pela parede. O painel do rapel também fica na torre de madeira, onde os instrutores – muito pacientes com os medrosos – fazem uma demonstração; é só fincar pés e mãos nas estruturas sobressalentes e ir subindo. Convenhamos que nem todo mundo tem essa vocação, mas com opções tão variadas, ao menos em algum esporte o hóspede vai se encaixar. Para os mais preguiçosos, a indicação é algo suave, que não exige esforço físico, que ajuda a se sentir livre e leve: o balão.

#I1# A magia está no ar

O passeio é especialmente contratado para os hóspedes do hotel, por meio de uma parceira com a Abequar Balonismo, de Ricardo Martins, e cobrado à parte. O piloto jamais realiza um vôo sem que as condições meteorológicas sejam ideais e isso não significa apenas céu limpo, mas vento favorável. Para testar, o balonista acorda por volta das cinco da manhã e usa uma sonda, um balão pequeno cuja trajetória indicará o caminho que será percorrido.

Mesmo com os olhos ainda inchados de sono, ninguém reclama de pular fora da cama para a aventura. Acompanhar a montagem do balão já é diversão. A equipe de apoio, que seguirá os aventureiros por terra durante todo o percurso, se encarrega de desdobrar o chamado envelope: 12 metros de comprimento e 120 quilos. Antes de ser inicialmente inflado com ar frio, o piloto (e instrutor de vôo) explica o que se deve fazer caso a aterrissagem seja menos suave, o que é raro, garante. “Basta se abaixar e segurar nas alças internas”. A seguir vem o acionamento do maçarico, que enche o balão com ar quente.

Tudo pronto é só subir a bordo e aproveitar o passeio silencioso e suave. Para Ricardo Martins, voar é terapia e exercício de humildade. Ele explica: “No balão você depende da vontade da natureza.” Isso quer dizer que se o vento não colaborar, nada feito. A imprevisibilidade faz parte do passeio e nunca se sabe, por exemplo, o local exato de descida. Mas a equipe conhece bem a região e tem tudo mapeado. Do carro em solo, a turma de apoio se comunica o tempo todo com o piloto por meio de rádio. Em alguns momentos, o balão flutua rente às copas das árvores e, no momento de parar, fazendeiros e sitiantes acenam para os aventureiros. Quando se pensa que a magia terminou, mais uma surpresa: Ricardo saca uma providencial maleta que contém taças e champanhe. O sonho termina em brinde. A sensação de voar permanece.

#I2# A jornalista Ana Maria Ferraz Tavares viajou a convite do Hotel Fazenda & Resort Pitangueiras


Vôo de balão é atração para todas as idades Crédito: Lilia Macedo

Vôo de balão é atração para todas as idades



Cenário natural para todas as aventuras Crédito: Lilia Macedo

Cenário natural para todas as aventuras



O conforto e as instalações do Hotel Fazenda & Resort Pitangueiras Crédito: Lilia Macedo

O conforto e as instalações do Hotel Fazenda & Resort Pitangueiras


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