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Desvende a história, a magia e a riqueza da antiga Rota da Seda

Em meio às deslumbrantes paisagens, você vai se surpreender com os tesouros arqueológicos, a imponência da arquitetura e a exótica cultura do Turcomenistão, Uzbequistão e Cazaquistão, na Ásia Central, antigo elo entre o Ocidente e o Oriente

Flávio Bitelman

Se você procura por uma experiência realmente exótica, precisa conhecer a antiga Rota da Seda. O charmoso Orient Silk Road Express oferece viagens, de dez a 16 dias, em que você poderá conhecer alguns destaques da mágica Ásia Central. Percorrendo o trajeto de trem, você terá tempo para desvendar as belezas naturais e, nas paradas, admirar as maravilhas arquitetônicas. E na volta, além da saudade da deliciosa culinária e das fotos, vai trazer na bagagem o conhecimento da riquíssima cultura local.
O melhor é que esses roteiros, que entre o século 2 a.C. e meados do século 16 eram percorridos em lombo de camelo, hoje são feitos nos vagões do Orient Silk Road Express, que foi inteiramente reformado em 2013. Sua decoração tem aquele divertido estilo kitsch dos asiáticos. A bordo desse trem, você terá a sensação de ter voltado no tempo: as cabines são privativas – mas pequenas para os padrões dos trens atuais – e a simpática equipe garante bons serviços. Importante saber que independente de qual seja o percurso escolhido, você dormirá algumas noites embalado pelo chacoalhar do trem. Em outras noites, ficará muito bem acomodado em encantadores hotéis.
Apesar de a Rota da Seda ser famosa pelo seu aspecto comercial, essa rede de estradas que conectava o Extremo Oriente ao Mediterrâneo teve um papel ainda mais importante na história, por se tratar do principal canal de comunicação entre os povos dos dois lugares. Através dele, os europeus tiveram acesso às invenções chinesas, entre elas, pólvora, tecnologia do papel e impressão. E os orientais tomaram conhecimento dos avanços ocidentais nas áreas da astronomia, medicina e matemática. Diferentes religiões também foram difundidas pelos mesmos caminhos que ligavam essas duas partes do mundo. Foi assim que o budismo se propagou pela Índia, China e Japão; bem como o Islão se espalhou pela Ásia Central e Índia.
A Legendária Rota da Seda é o roteiro de 14 dias. Ele pode ser feito de Almaty (Cazaquistão) a Ashgabat (Turcomenistão) – ou no sentido contrário.

CAZAQUISTÃO
Almaty é uma linda metrópole que fica aos pés do poderoso cume das Montanhas Alatau e, apesar de não ser a atual capital do Cazaquistão, que hoje é Astana, ela é a maior cidade e abriga cerca de 8% da população do país – em torno de 1,18 milhão de habitantes (2004).
Em 1854, o local, erguido no sopé das montanhas de Tian Shan por cossacos da região de Omsk, era um forte batizado como Zailiysky. Um ano depois, passou a ser chamado de Verny. Um tremor de terra ocorrido em 1911 deixou quase toda a cidade em ruínas: o único edifício alto que não ruiu foi a catedral russo-ortodoxa.
Na década de 1920, recebeu o nome Alma-Ata (que significa algo como lugar ou cidade das maçãs) e logo se tornou o mais importante ponto intermediário do trajeto de trem.
Há muito o que ver em Almaty. A Catedral Zenkov é uma maravilha feita toda de madeira. Em sua construção, no ano de 1904, não foi utilizado um único prego de metal. Além de ter essa característica marcante, ela chama a atenção por ser colorida. Vale lembrar que esse é um dos únicos edifícios que restaram da época dos czares, pois todo o restante foi destruído. À sua volta, você vai apreciar o bonito jardim do Parque Panfilov, próximo ao Parque Gorky – homônimo do famoso parque de Moscou.
Você vai se encantar com a Mesquita Central de Almaty e seus cinco minaretes com abóbadas azul-turquesa. Essa é a maior mesquita do Cazaquistão, e a “caçula” da cidade.
Ao chegar ao Turquistão, vai conhecer uma das construções mais significativas da arquitetura timúrida, o mausoléu construído em 1394 por Khoja Ahmed Yasawi, Patrimônio da Humanidade pela Unesco. O edifício erguido pelos persas tem 39 metros de altura e é coroado por uma gigantesca e maravilhosa cúpula – são 12,8 metros de diâmetro e 28 metros de altura.

UZBEQUISTÃO
Esse é um dos mais belos países da Ásia Central. Uma parada em Tashkent, capital do Uzbequistão, com suas belíssimas fortalezas e madraças construídas de tijolos e adornadas com azulejos turquesa. No dia seguinte, estará em Shakhrisabz desvendando essa charmosa e colorida cidade em que as atrações são o Palácio Ak-Saray, o complexo memorial Dorut Tilovat, a Mesquita Kok-Gumbaz e os mausoléus Dorus Siodat, Shamsad-Dina Kulyala, Gumbazi-Seyidan.
Há muito o que admirar em Samarcanda, que durante o Império Tamerlão foi considerada a cidade mais bela e mais importante do mundo. A Necrópole de Shahi-Zinda, as escavações de Afrosiab (e, aqui, vale fazer uma visita guiada ao museu) e a Praça do Registan formam o conjunto de obras arquitetônicas mais impressionantes da Ásia Central.
Aqui vale um parágrafo para falar um pouco mais sobre essa praça que, sem exagero algum, já vale a viagem. Ela fica entre três belíssimas madraças bem restauradas, que trazem em seus edifícios adornos coloridos delicados e, ao mesmo tempo, deslumbrantes. E não tem como estar lá sem se lembrar das histórias contadas por Sherazade ao sultão, em As Mil e Uma Noites.
Arrume um tempo para visitar uma fábrica de tapetes de seda e uma das famílias de artesãos uzbeques que produzem papel usando a casca da amoreira. Essas são vivências que vão tornar sua experiência ainda mais fantástica.
O observatório astronômico de Ulugbek e as ruínas da Mesquita Bibi Khanum, bem como o interior do mausoléu palaciano Gur Emir, são atrações que você não deve perder também.
Através da fronteira sul da região de Sete Rios, você chega ao oásis de Khiva. E, ao cruzar as suntuosas muralhas da
cidade, com seus portões e bastiões feitos de tijolos de argila, vai sentir-se em outro mundo. Será impossível não ficar fascinado pelos palácios, mesquitas, mausoléus e escolas do Corão com a original arquitetura urbana da Idade Média oriental. Um dos mais belos minaretes (torre das mesquitas, de onde o muezim – pregoeiro – conclama os muçulmanos às orações) é o Kalta Minor. Esse minarete de azulejos turquesa foi erguido em 1851 por Mohammed Amin Khan, que, segundo a lenda, queria que ele fosse tão alto que pudesse ser avistado de muito longe. Quatro anos depois, ele morreu e a estrutura ficou inacabada, o que não tira a sua beleza majestosa.
O próximo destino será Bukhara, esplêndida cidade histórica – e que fabrica os célebres tapetes de seda. Nos séculos 9 e 10, ela foi a capital de Samanidas (primeira dinastia iraniana que dominou a região) e, portanto, era um dos principais pontos comerciais da Rota da Seda. Antigamente, a cidade era local onde armazenavam e comercializavam especiarias exóticas, peles e, sobretudo, sedas em caravançarais (termo persa que designa um conjunto de pousadas e estalagens). Também teve importância religiosa, tendo sido um dos pilares do Islã.
Apesar do crescimento ao longo dos anos, a cidade conseguiu preservar suas madraças, mercados, mausoléus, mesquitas e outros dos muitos monumentos que narram sua história. E ainda mantém seu maravilhoso estilo arquitetônico persa.
Na Cidade Velha, que faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco, está o imponente Minarete de Kaljan – com seus quase 50 metros de altura – e a Praça Lyabi-Hauz. Prepare-se para jantar no pátio de madraça (casa de estudos islâmicos), com direito a ótimas iguarias, música, danças e apresentação de trajes coloridos típicos que são belíssimos.
Essa cidade é um grande museu arquitetônico que conserva seu estilo oriental antigo. Ali está a mais bela construção da Ásia Central, o Mausoléu de Samani. A cidadela fortificada de Ark (ainda dentro de Bukhara) é outra maravilha: abrigou, em outras épocas, a residência dos emires locais. A cerca de 15 quilômetros dali, fica o complexo Sufi, um centro de peregrinação onde está instalada a única mesquita para mulheres do mundo.
Encerre essa etapa da viagem degustando ótimos vinhos uzbeques a bordo do Orient Silk Road Express.
TURCOMENISTÃO
No Turcomenistão, você vai curtir Merv, a Pérola do Oriente, atual cidade de Mary. Ela foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco (1999). Não por acaso. As ruínas dessa cidade chamam a atenção, já que abrangem cerca de 4 mil anos de história da humanidade.
Durante o século 12, Merv foi considerada a maior cidade do mundo. Ali, você vai visitar essa espécie de “coleção” de ruínas das várias e antigas cidades construídas no local, e que receberam diferentes nomes. Vale a pena desvendar suas riquezas. Entre elas, o Mausoléu do Sultão Sanjar, a Fortaleza das Virgens (Kis Kale), as grutas geladas e outras maravilhas. A pausa será feita na hora do almoço, servido no pitoresco pátio interior de uma família local – uma experiência única.
Você começa o dia no local da antiga cidade de Nisa. Depois, segue para a grandiosa Ashgabat, nova capital do país. Onde vai para conferir a exposição das ruínas de Nisa que estão no Museu Nacional. Ali, também pode conferir outros tesouros arqueológicos.
Ashgabat contou com bilhões de dólares investidos em seu projeto para mostrar ao mundo as glórias e as realizações dos turcomenos. Fazer um passeio panorâmico é a melhor forma de contemplar os cenários hollywoodianos de Ashgabat, que traz a marca inconfundível de Turkmenbashi, o grande líder dos turcomenos.

OUTRAS ÓTIMAS OPÇÕES
Se você tiver 16 dias livres, poderá fazer o roteiro A Incrível Rota da Seda. Além de percorrer Turcomenistão, Uzbequistão e Cazaquistão – e incluir alguns pontos de visitação extras nesses países –, vai conhecer Tajiquistão e Quirguistão. O primeiro foi colônia da Pérsia em 3 mil a.C. e depois foi ocupado pelos árabes, a partir de 327 a.C., que islamizaram os habitantes da região, que até hoje têm a cultura muçulmana ainda muito presente. Após passar pelos domínios de mongóis e turcos otomanos, os russos se estabeleceram ali até o século 19. Durante a segunda fase da Revolução Russa de 1917, o país tornou-se uma república socialista soviética. A independência só chegou em 1991, com o colapso da URSS.
O Quirguistão guarda mais de 2 mil anos de história e sua geografia montanhosa ajudou a preservar sua cultura, embora esteja na Rota da Seda e tenha convivido com diferentes povos. Também esteve sob dominação estrangeira periodicamente por estar em uma área estratégica. Sua soberania aconteceu no século 20, com a dissolução da URSS, da qual fez parte.
Mas se tiver menos tempo de descanso para viajar, vale fazer O Coração da Rota da Seda, que dura dez dias. O trem atravessa o Uzbequistão e você pode conhecer as cidades mais importantes, históricas e fascinantes ao longo da Rota da Seda – Tashkent, Samarcanda, Khiva e Bukhara.

Quando ir

A Legendária Rota da Seda, 14 dias:
Ashgabat (Turcomenistão)–Almaty (Cazaquistão)
> 16 de outubro a 29 de outubro de 2018
> 9 de abril a 22 de abril de 2019
> 15 de outubro a 28 de outubro de 2019

Almaty (Cazaquistão)–Ashgabat (Turcomenistão)
> 28 de março a 10 de abril de 2019
> 3 de outubro a 16 de outubro de 2019

A Incrível Rota da Seda, 16 dias:
> 27 de agosto a 11 de setembro de 2018
> 14 de setembro a 29 de setembro de 2019

O Coração da Rota da Seda
Tashkent–Bukhara (Uzbequistão)
> 22 de setembro a 1o de outubro de 2018

Quem leva
Auroraeco Viagens: auroraeco.com.br

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