tamanho da letra : imprimir
Observatório

Os limites do crescimento

Roland de Bonadona

A idéia do desenvolvimento sustentável hoje é questão de todos, mas as empresas têm uma missão essencial para que isto possa se concretizar. Se existe vontade real em adequar seu modelo de negócio visando o equilíbrio necessário à sustentabilidade, é preciso incorporar esta preocupação em todas as dimensões da atividade – do plano estratégico ao desenvolvimento de processos no dia-a-dia.

Desenvolvimento sustentável exige o envolvimento do business em questões que dizem respeito ao bem comum e que extrapolam o âmbito corporativo. A consciência disto tem levado líderes a incentivar a adoção de boas práticas para a promoção deste desenvolvimento. No entanto, este novo cenário não pode se limitar à diretoria da empresa e à área dedicada ao tema. É preciso atingir o conjunto de colaboradores, acionistas, parceiros, fornecedores e clientes, compartilhando com eles a necessidade de conscientização e dando-lhes a oportunidade de contribuir, efetivamente, com um projeto.

O tema, anteriormente exclusivo de ONGs e ativistas, é hoje um dos mandamentos mais reproduzidos em qualquer setor empresarial. Na hotelaria, as redes têm buscado formas de assegurar a compatibilidade entre a atividade turística economicamente eficaz com a manutenção do ecossistema, sua diversidade e recursos naturais, gerindo-os de forma que possam manter-se para as gerações futuras. E para que isto seja possível, é preciso incorporar, entre outros, metas de consumo e reutilização de água, uso de energia solar e reciclagem de materiais, além do monitoramento das atividades para que os resultados dos esforços empreendidos possam ser mensurados no curto, médio e longo prazos.

Não se pratica desenvolvimento sustentável sem inovação, avaliação e mensuração. São regras claras que têm uma razão única e muito especial de ser: viver e crescer de forma sustentável.

Como aliada, a atualidade nos dá a tecnologia: ela permite que itens que vão da arquitetura à chave do apartamento sejam planejados na construção de um hotel, de modo a otimizar recursos e ampliar a geração de valor na nossa atividade. Para citar um exemplo dentro de casa: na Accor Hospitality nenhum projeto hoteleiro sai do chão – literalmente – se não estiver em sintonia com a Carta Ambiental. Criada como compromisso real de preservação do meio ambiente, a Carta Ambiental é um exemplo de estratégia consolidada, bem-sucedida e utilizada em todas as nossas unidades no mundo. Para o mesmo fim, contamos, ainda, com certificações ambientais como ISO 14001 e Green Globe, que acompanham nossa atividade de modo rigoroso.

Para nós, a chave do sucesso é levar cada uma dessas ações a cabo, garantindo seu acompanhamento no tempo certo e avaliando resultados. A política exige e a tecnologia permite a adoção e a instalação, entre outros itens, de redutores de vazão, equipamentos de detecção de vazamento e de recuperação de água, ou a simples utilização da chave magnética, que controla sistemas de luz e condicionamento de ar nos apartamentos.

Significa, enfim, que a missão de uma rede hoteleira, no universo do desenvolvimento sustentável, é incorporar a questão ao seu planejamento estratégico, deixando-a no painel de bordo, devidamente monitorada. No entanto, essa combinação só é possível e eficiente se houver o compromisso consciente das pessoas. Sem o elemento humano, nenhum projeto é viável.

Comentários


Deixe um comentário




O comentário não representa a opinião da revista Host&Travel; a responsabilidade é do autor da mensagem