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Observatório

O Turismo e a Realidade Aumentada

Por Paulo Salvador

Uma das histórias incríveis que li sobre a tragédia no Haiti foi a do cineasta americano Dan Woolley. Depois de ficar soterrado numa pilha de escombros em Porto Príncipe durante 65 horas, ele conseguiu sobreviver graças ao flash da filmadora digital (que iluminou o local onde ficou preso) e as instruções do aplicativo do iPhone First Aid & CPR, que o ensinou a cuidar dos ferimentos da perna e fez com que evitasse adormecer, programando o alarme para despertar a cada 20 minutos.

A Apple revolucionou a telefonia móvel integrando imagem, agenda, mapas, e-mail e toda uma gama de aplicativos em uma interface ultra amigável. O segredo desse sucesso com o iPhone nao é o aparelho em si, mas o acesso a um mundo de informações com enorme simplicidade.

No universo do turismo uma nova revolução começa a desembarcar: Ela se chama Realidade Aumentada (RA). A Realidade Aumentada existe no meio acadêmico desde os anos 1990 e define-se como um sistema que mistura elementos virtuais com o ambiente real. Dois exemplos bastante conhecidos de Realidade Aumentada são os “anúncios virtuais” veiculados em trasmissões de jogos e eventos, ou os rastros coloridos que indicam a localização e a trajetória da bola nas transmissões pela televisão. O campo e os jogadores são reais, mas os traços e as logomarcas são virtuais.

O acesso à RA vai ser massificado por meio dos iPhones e smart phones com acesso a internet. Cada vez que a câmera do aparelho é direcionada para um objeto com logomarca ou forma reconhecidas por RA, as imagens na tela são substituídas ou superpostas por gráficos 3D exatamente como vemos hoje quando acessamos o Google Street View em algumas cidades. Hoje esses serviços são poucos, entre 20 e 30, mas já estão disponíveis nos iPhones através de sites pioneiros como Layar, Junaio ou Wikitude.

Em breve, cada portador de um smart phone, andando na rua, vai apontar seu aparelho para uma logomarca ou fachada de restaurante, hotel, museu, shopping e poderá saber tudo sobre aquela imagem captada: informacoes práticas, história e fatos marcantes de edifícios, promoções, críticas e comentários de clientes e os links para comprar, reservar e até mesmo comentar sobre a experiências passadas. Tudo on line, real time e conectado a outros milhões de clientes e usuários.

Apesar dos valores serem ainda pequenos – cerca de 2 milhões de dólares em 2010 –, a empresa de consultoria Jupiter Research estima que o mercado de RA vai explodir nos próximos cinco anos, com um volume de negócios de 700 milhões de dólares, com base na venda dos aplicativos e principalmente em publicidade.

Como empresas e profissionais de turismo devem se preparar para essa onda? Por meio de uma visão obstinada sobre a capacidade dos internautas de gerar conteúdo positivo ou negativo. No futuro próximo, gerar informação turística não será mais papel dos atores tradicionais e formais. Caberá a esses atores organizar a informação, canalizá-la em benefício do seu negócio e gerar ferramentas para que a compra seja efetuada. Mas serão acima de tudo os internautas – que postam a cada segundo milhares de informações em sites e blogs – os verdadeiros responsáveis pela informação que vai influenciar outros milhares de consumidores. Em breve, tudo isso vai estar consolidado e disponível – em um apontar de dedos – na tela do iPhone.

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