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Lá Fora

Destino de futuro

Entre souks e torres futuristas, Dubai surpreende o visitante e investe no turismo para garantir prosperidade

Experimente contar que esteve em Dubai. A simples menção ao nome fará seus interlocutores se agitarem. Quem já esteve neste que se tornou nos últimos anos o destino mais reluzente do Oriente Médio certamente vai ser interrogado. O fato é que poucos destinos turísticos geraram repercussão mundial em tão pouco tempo, junto a um público tão diversificado. De pessoas que nunca sonharam em sair de seu próprio país a viajantes experimentados, passando por executivos com alta milhagem aérea, a curiosidade é a mesma: “Como é Dubai?”

As opiniões podem se multiplicar, dependendo do foco de interesse. Mas dificilmente alguém se mostrará indiferente após uma visita à cidade-Estado mais populosa e a segunda mais rica das sete que formam os Emirados Árabes Unidos. No último ano, foram sete milhões de visitantes e a expectativa do Departamento de Marketing de Turismo e Comercio de Dubai é de atingir a marca de 15 milhões de visitantes em 2015.

Esses números ganham nova perspectiva se forem considerados na linha do tempo. Pouco mais do que um vilarejo entre o deserto e o Golfo Pérsico, no inicio do século 20 Dubai não passava de um incipiente entreposto comercial, cujas atividades básicas eram a pesca e a coleta de pérolas. Somente em 1958, foi construído o primeiro hotel. Em 1966, foi vez da descoberta de petróleo; e em 1971, a cidade ganhou o primeiro aeroporto. A população em meados dos anos 1970 era de cerca de 180 mil habitantes.

Bastou pouco mais de 30 anos e o cenário modificou-se de forma espantosa.
A população supera 1,5 milhão de pessoas, com uma particularidade: cerca de 85% é composta por estrangeiros, em sua grande maioria indianos e provenientes de outros paises árabes. Uma floresta de prédios reluzentes, que disputam alturas e formas, abriga empreendimentos de atuação internacional. Um setor construído especialmente para empresas de comunicação, com toda tecnologia disponível e facilidades para instalação que nenhum outro país oferece. Villas com mansões luxuosas, marinas, resorts, shoppings com as marcas mais exclusivas do mundo e o segmento da construção civil, que se expande até pelas águas do golfo, em projetos para abrigar residências, hotéis e centros de entretenimento (ver box).

Some-se a isso, a tolerância ao estilo de vida ocidental, isenção de impostos, um mar de águas turquesas e a paisagem do deserto em que não faltam camelos e se tem um breve retrato do que acontece naquele pedaço de terra de 3,8 mil quilômetros quadrados, equivalente em área à metade da região metropolitana de São Paulo.

#I1# Opção pelo turismo

Rapidez, inovação e empreendedorismo, fomentados pelo espírito visionário dos governantes da família Maktoum, no poder há mais de 200 anos, fazem a diferença. A opção pelo turismo como um dos vetores da atividade econômica foi bem fundamentada. As reservas petrolíferas, logo se descobriu, não eram das maiores comparadas a de outros paises da região. “Tivemos de pensar em criar outros recursos para o país, alem do petróleo, e o turismo foi um deles”, diz Hamad Mohammed bin Mejren, diretor do Departamento de Marketing de Turismo e Comércio, órgão responsável pelo planejamento e desenvolvimento turístico de Dubai criado em 1989.

Alavancada pelos petrodólares, pela expansão da companhia aérea do governo, a Emirates Airline, com metas e conceitos bem definidos, Dubai partiu em meados dos anos 1980 para se consolidar como destino internacional. Com um perfil muito próprio – país islâmico, sol e temperaturas de verão o ano inteiro, população multicultural – assumiu uma personalidade turística que incorporou o luxo, o superlativo e a modernidade. Algo no gênero “mil e umas noites” do século 21.

A estratégia vem dando certo. A participação do turismo no PIB de Dubai é hoje de 33%, enquanto a indústria do petróleo contribui com cerca de 3%. A capacidade hoteleira é de 46 mil quartos, mais da metade no padrão cinco estrelas, com previsão de chegar a 120 mil até 2012. As principais publicações de todo o mundo passaram a cobrir o destino na mesma velocidade com que novos projetos imobiliários e de entretenimento são lançados e inaugurados. Já a cereja do bolo fica por conta da presença de celebridades e a associação de seus nomes ao destino. Brad Pitt participa como consultor da equipe que projeta um novo hotel de luxo; Boris Becker e Michael Schumaker têm seus nomes – e grandes retratos – em lançamentos imobiliários. Pelé, Paulo Coelho e David Beckham foram presenteados pelo xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, autoridade máxima do emirado, com mansões na cidade

Tudo isso tornou Dubai um case fascinante no cenário do turismo internacional. Boa parte dessa mistura é o que atrai, além dos turistas, profissionais do trade, operadoras e agências de viagem, inclusive no Brasil. Com a inauguração de vôos diretos da Emirates Airline entre São Paulo e Dubai, a partir de 2007, os brasileiros passaram a demandar pacotes para a região. Mesmo que seja apenas para um pit-stop rumo a outros destinos do Oriente, aproveitando as facilidades da localização do aeroporto que se transformou em importante hub da porção leste do planeta.

#I1# Souqs e torres futuristas

E o que o turista vai encontrar por lá? Primeiro, é bom ter em mente que não se trata de uma viagem no estilo conhecer monumentos históricos, parar em qualquer lugar para tomar um drinque no final da tarde ou contar com transporte público para se deslocar rapidamente pela cidade. É só lembrar que há pouco mais de 40 anos, o lugar não passava de um modesto ponto de comércio, com parca infra-estrutura e muita areia ao redor. Alem disso, trata-se de um país muçulmano, tolerante com o estilo de vida ocidental, mas que disciplina a comercialização de bebidas alcoólicas, liberadas em hotéis e alguns bares e restaurantes. Quanto ao trânsito, os congestionamentos em algumas avenidas são extenuantes. Táxis nos horários de pico são difíceis de achar e o transporte púbico não chega a ser uma opção para o turista. A situação poderá ser aliviada com a entrada em operação, em 2009, de duas linhas elevadas de trem urbano, com 55 estações e cobertura de 70 quilômetros.

Mesmo focada no futuro, a cidade valoriza seu passado e pretende manter suas tradições. Um dos programas mais interessantes é conhecer a região onde tudo começou. O centro antigo é dividido pelo Creek (ou enseada) um braço de mar que avança 12 quilômetros nessa parte da cidade. Na margem conhecida como Bur Dubai, está Bastakia, marco zero de Dubai, com um bem preservado conjunto de casas do século 19. A construção típica das residências, com os cômodos voltados para um pátio interno, inclui uma torre de vento, estrutura que permitia a refrigeração do interior de forma bem eficiente. A área recuperada hoje abriga galerias de arte, cafés, lojas e uma bela mesquita, infelizmente não aberta à visitação. No Museu de Dubai, é possível conhecer a trajetória do emirado por meio de vídeos e instalações que reproduzem o estilo de vida dos beduínos e dos “pescadores” de pérolas. Destaque também para as fotos que mostram as fases desse curto período de transformação.

Cruzando a enseada, Deira mantém o charme do antigo comércio dos souqs, os mercados árabes. O mais antigo é o dedicado às especiarias. Na seqüência de lojinhas, com bancas externas (no interior, ar condicionado), o festival de cores, formas e perfumes encanta turistas. Mas quem ganha em brilho e extravagância é o Gold Souq, ou mercado do ouro. Numa galeria coberta e em ruas próximas, as vitrines de cerca de 300 joalherias faíscam nos olhos dos visitantes. Nos das mulheres, com mais força. Embora haja uma boa variedade de jóias para homens também. O preço das peças em 18, 21 e 24 quilates valem literalmente seu peso em ouro. E a diversidade do design vai de uma simples aliança a colares que descem até a cintura em cascatas douradas.

Para fazer a transição entre a Dubai de feição tradicional e a dos edifícios suntuosos do centro cosmopolita, basta embarcar num al-galalif, típica embarcação do golfo para um passeio pelo Creek. Nas margens, avistam-se alguns marcos da arquitetura local, como a sede do Banco Nacional de Dubai, com revestimento em vidro cor de bronze que produz belos reflexos à luz do sol; ou, num recanto mais tranqüilo da enseada, a sede do Dubai Creek Golf & Yacht Club, com seu teto branco em forma de vela junto aos iates ancorados. Ao anoitecer, a iluminação dos edifícios próximos da água proporcionam um espetáculo extra.

A visão da Dubai que se movimenta rumo ao futuro segue pela Sheik Zayed Road. Com oito pistas e trânsito intenso, a maior avenida de Dubai é a via de acesso ao centro financeiro e de negócios. De qualquer ponto da avenida, é possível avistar as obras da Burj Dubai (torre Dubai), a mais alta edificação do mundo. Embora não se divulgue exatamente quantos metros alcançará, a obra prevista para ser finalizada em 2009, tem agora mais de 630 metros construídos. Já ultrapassou o recorde do prédio detentor do título, o Taipei 101, em Taiwan, com 518 metros. Burj Dubai abrigará escritórios, apartamentos residenciais, o primeiro hotel com a grife Armani e, confirmando o gosto pelo superlativo, o maior shopping do mundo, com 1,2 mil lojas e uma constelação de grifes estreladas.

#I1# Tradição em grande estilo

Para os turistas com limites de crédito mais elásticos, destino certo é a região da praia de Jumeirah, ao sul da cidade. Ali estão alguns dos hotéis e resorts mais concorridos, como o Burj Al Arab (torre árabe), cartão-postal da extravagante Dubai; o Jumeirah Beach Hotel, resort de perfil familiar; e o complexo Madinat Jumeirah, com diferentes tipos de hospedagem e opções de entretenimento. Todos fazem parte do grupo árabe Jumeirah, marca de hotelaria de luxo em fase de expansão e que tem demonstrado interesse em investir no Brasil.

A visita ao “sete estrelas”(quem não estiver hospedado, pode ter acesso mediante reserva em um de seus restaurantes) confirma o que já foi dito e mostrado pela mídia mundial. O exterior de arquitetura harmoniosa disfarça a suntuosidade interna. Cores por todos os lados e detalhes dourados, paredes de aquários e o maior átrio do mundo com 180 metros. Detalhes que impressionam: staff de 1.200 pessoas de mais de 100 nacionalidades; recepção exclusiva para cada um dos 27 andares; suítes duplex como padrão; menu com 15 tipos de travesseiros; um bar no topo do edifício, do qual se tem a mais bela vista do golfo e da cidade, serve um drinque exclusivo cuja dose custa US$ 13 mil. Não é à toa que prestes a completar 10 anos, o Burj Al Arab continue a chamar atenção.

Vizinho à torre árabe, o Madinat Jumeirah Resort tem como trunfo uma arquitetura que recupera as tradições da cultura árabe. O conjunto integrado por dois hotéis butiques, exclusivas residências de lazer, salas de conferência, teatro multiuso, quadras de tênis, 42 restaurantes, piscinas e outras facilidades faz frente a um quilômetro da praia de Jumeirah. Prédios baixos e casas, rodeados por canais de água salgada, compõem uma espécie de antigo vilarejo local, sem dispensar luxo e conforto. Não falta nem um souk com 75 lojas, bares e restaurantes. Aberto ao público, é considerado uma das melhores opções de compras de Dubai, especialmente para tapetes orientais e outros itens artesanais.

Ainda em Jumeirah, o Mall of Emirates proporciona mais oportunidades para as compras, uma das atividades preferidas dos moradores de Dubai. Pelos muitos corredores que ostentam vitrines sofisticadas e novidades eletrônicas, circulam mulheres cobertas com a abaya, o véu e a túnica pretos, turistas e executivos em ternos impecáveis ou em dishdasha, a longa túnica branca. Além da coleção de marcas mundiais, o shopping tem uma estação de esqui com temperaturas abaixo de zero e muita neve artificial. Um refresco para quem enfrenta verões que podem chegar a 55º C e média anual de 30º C.

Por mais dinâmica, tecnológica, grandiosa e extravagante que seja, Dubai é ativa em apresentar sua origem e identidade cultural. Não há visitante que resista à emoção de participar de um passeio no deserto, com direito ao belíssimo pôr do sol recortado por dunas e silhuetas de camelos, seguido por um jantar numa deliciosa réplica de acampamento beduíno. Sob a luz das estrelas e experimentando o prazer de fumar um narguilé aromático, é difícil lembrar que a cidade trepidante a algumas dezenas de quilômetros acelera para se tornar um marco do futuro. Paradoxos e experiências que poucos lugares no mundo podem oferecer.

#I2#A jornalista Liana Amaral viajou a convite da Emirates Airline, com o apoio da Travel Ace Assistance.


Vista do centro de negócios e da marina a partir do The Harbour Hotel & Residence Crédito Liana Amaral

Vista do centro de negócios e da marina a partir do The Harbour Hotel & Residence



Charme e boas compras no souk Madinat Jumeirah Crédito Divulgação

Charme e boas compras no souk Madinat Jumeirah



Safári no deserto Crédito Liana Amaral

Safári no deserto



Palm Jumeirah: a primeira das ilhas a ser concluída Dubai é audaciosa em seus projetos. Principalmente naqueles relacionados à criação de novos meios de hospedagem e atrações para visitantes de todas as idades. O intuito é reforçar cada vez mais o perfil de pólo turístico e aumentar o período médio de permanência na cidade, hoje de 2,5 dias. Quando totalmente finalizadas, entre 2015 e 2020, as obras abaixo ampliarão não só o número de visitantes, mas a própria geografia da cidade. #I2# Ilhas da fantasia Em forma de palmeira, árvore símbolo de Dubai, as ilhas artificiais Palm Jumeirah, Palm Jebel Ali e Palm Deira vão adicionar 529 quilômetros de praias à costa de Dubai e poderão abrigar mais de dois milhões de pessoas. Palm Jumeirah, em fase de conclusão, contará com edifícios residenciais, centros de entretenimento, hotéis e resorts. O primeiro deles, Atlantis The Palm, foi inaugurado em setembro último. #I2# O sonho do país próprio Cerca de 300 ilhas reproduzindo o formato de países e seis continentes compõem o arquipélago The World. No total, o projeto soma 63 quilômetros quadrados, circundado por um quebra-mar de 27 quilômetros. O acesso às será exclusivamente feito pelo mar. As ilhas abrigarão residências de luxo, centros de lazer abertos ao público e hotéis. A construção do arquipélago acaba de ser concluída. #I2# Diversão garantida O nome do maior projeto mundial de turismo e entretenimento não poderia ser outro: Dubailand. O empreendimento vai reunir atrações distribuídas em sete áreas de interesse e 45 megaprojetos. Muitos em parceria com marcas internacionais de entretenimento. Parques temáticos, projetos de ecoturismo, praças de esportes, shopping centers, restaurantes, hotéis e unidades habitacionais que poderão acomodar uma população de 2,5 milhões de pessoas, entre turistas, trabalhadores e residentes. Já estão em funcionamento o autódromo, um clube de pólo, o Jockey Club e o Al Sahra Desert Resort. #I2# Céus abertos Com investimentos estimados em US$ 8,2 bilhões, o novo aeroporto de Dubai, Al Maktoum International Airport, terá capacidade para receber mais de 120 milhões de passageiros ao ano, a partir de 2017. E fará jus à tradição de superlativos da cidade: será o maior e mais movimentado do mundo. Crédito: Liana Amaral



Na praia de Jumeirah, a silhueta de seus hotéis mais famosos: Burj Al Arab, Jumeirah Beach e Madinat Jumeirah Crédito Divulgação

Na praia de Jumeirah, a silhueta de seus hotéis mais famosos: Burj Al Arab, Jumeirah Beach e Madinat Jumeirah



Burj Dubai: o edifício que será o mais alto do mundo, em fase final de construção Crédito: Liana Amaral

Burj Dubai: o edifício que será o mais alto do mundo, em fase final de construção


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