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Lá Fora

De tirar o fôlego

República Dominicana divulga a diversidade de atrações e aposta no público brasileiro para incrementar o turismo, primeira atividade econômica do país

Homenagem a Cristóvão Colombo em Santo Domingo Crédito: Camila Lucchesi

A República Dominicana quer mostrar ao mundo que não se resume ao turismo de sol e praia. Obviamente, as altas temperaturas durante todo o ano, águas cristalinas, areias brancas e paisagens paradisíacas atraem para esse tipo de atividade contemplativa, mas o país afirma que é possível voltar pra casa com muitas experiências, além de um belo bronzeado.

Esse é o mote da campanha “Inesgotável”, lançada com o objetivo de atrair turistas de diversos perfis. No cardápio dominicano de atrações é possível se deparar com a tradição do rum, dos charutos, da música típica, da culinária exótica e do filé da casa: as praias. Mas também entram novidades como esportes radicais, casamentos à beira mar, mergulho, diversão para a família, cassinos, arquitetura, cultura e muito mais. Não é a toa que o país de nove milhões de habitantes tenha recebido quase a metade de sua população (4,2 milhões) de turistas de todo o planeta em 2006.

Um dos principais alvos dessa investida é o turista brasileiro que encontra muitas semelhanças entre o país caribenho e seu próprio território. Então, por que sair do país? Para Félix Jiménez, Ministro do Turismo da República Dominicana, o principal motivo é a experiência que o contato com outros povos pode oferecer. “Conhecer outra cultura, outra gastronomia, outros gêneros musicais é enriquecedor”, afirma. Outra razão que tem levado brasileiros à República Dominicana é o fato de o jogo ser liberado no país. “Não é mais preciso ir a Las Vegas para freqüentar um cassino, aqui eles se encontram em quase todos os hotéis”, aponta.

Para ter êxito nessa empreitada, o escritório de promoção turística da República Dominicana no Brasil vem desenvolvendo ações focadas em agentes de viagens e operadores brasileiros, como capacitações, workshops, participação em feiras e campanhas de mídia em centros emissores como São Paulo e Rio de Janeiro. Em muitos hotéis dominicanos é possível encontrar funcionários que “arranham” o português, com destaque para a rede hoteleira Bahía Príncipe, pertencente ao grupo Piñero, que administra sete empreendimentos no país caribenho. Na unidade de Río San Juan, na costa norte, há opção de cardápio em português. A campanha é apoiada de perto pelo Ministro que, em dois anos, conta já ter vindo seis vezes ao Brasil para reuniões de negociação e articulações. “Fui mais ao Brasil do que a países europeus que trazem 200 mil turistas à República Dominicana.”

O resultado dessas ações já pode ser medido em números: em 2005, pouco mais de três mil brasileiros passaram pelo território dominicano. Em 2006 esse número triplicou: foram 10.387 desembarques de brasileiros nos aeroportos do país. Por sua atuação de fôlego, o escritório brasileiro representado pela diretora Andréa Majela foi premiado pelo Ministério do Turismo dominicano em uma cerimônia que reuniu as 20 representações do país no mundo. E para 2007 a intenção é dobrar o número de brasileiros que viajam à República Dominicana.

#I1# Diversidade de atrações

A República Dominicana está localizada na Ilha Hispaniola – a segunda maior do Caribe depois de Cuba –, onde divide o território com o Haiti. O território de cerca de 48,5 mil km2 é banhado ao norte pelas águas do Oceano Atlântico e ao sul, pelo Mar Caribe. Mas, o crescimento do turismo trouxe a tona também a preocupação ambiental. Segundo Jiménez, o país está se preparando para receber a “bandeira azul” que simboliza o turismo sustentável e de qualidade da Associação dos Estados do Caribe.

As áreas de potencial turístico estão recebendo investimentos pesados em infra-estrutura. “A meta é desenvolver diferentes zonas turísticas para que tenham estrutura adequada para receber turistas, com abastecimento de água potável e praias limpas e também melhorar a qualidade de vida das comunidades que vivem nessas áreas”, reforça Jiménez. Na costa norte, várias regiões passaram ou estão passando por uma reformulação da orla (ou malecón, como eles dizem) com calçamento, saneamento, troca de areia, plantio de coqueiros, palmeiras, iluminação e sinalização. Os esforços também estão sendo feitos em estradas e rodovias que ligam as 32 províncias e a capital, em segurança pública e em treinamento de taxistas e artesãos. “Estamos estudando alternativas para organizar os vendedores de artesanato em mercados para evitar que fiquem pelas praias”, explica o ministro. Além de recursos governamentais, o país utiliza parte da taxa de turismo (US$ 10 que os turistas pagam ao desembarcar em um dos aeroportos dominicanos) para investimentos em infra-estrutura turística.

Na parte Norte, um dos destaques é Puerto Plata, cidade com 200 mil habitantes que é um destino ideal para famílias. Além das belas praias de mar prateado — o nome teria sido dado por Cristóvão Colombo em alusão à tonalidade da água quando o sol começa a se pôr — a existência do parque temático Ocean World, onde é possível nadar com golfinhos, e do mundialmente famoso Museu do Âmbar atrai a curiosidade de turistas de todas as idades. Esse último reúne diversos exemplares da resina fóssil tradicional no país, inclusive a que Steven Spielberg utilizou no filme Jurassic Park. O turismo cultural também é muito apreciado: é possível conhecer a arquitetura da Cidade Velha, as ruínas da casa de Colombo e os escombros da igreja onde foi celebrada a primeira missa no Novo Mundo.

O mergulho é outra atividade bastante procurada nessa região, devido à extensão da faixa litorânea, diversidade de espécies marinhas e possibilidade de explorar navios naufragados. Apenas em Puerto Plata há dois afundados, os espanhóis Santa Catalina e San Jorge. Cientes desse potencial, muitos hotéis dão aulas de mergulho aos iniciantes. Segundo a subsecretária de Turismo de Puerto Plata, Bernardita Abbott de Finke, a diversificação de atrações não ajuda só o turista, mas também as comunidades locais. “A oferta de emprego complementar aumentou e não apenas para turismo de sol e praia, o que contribui para aumentar os postos de trabalho durante todo o ano”, conta. A estimativa do Ministério é que o turismo gere 300 mil empregos diretos e indiretos no país e, como principal atividade econômica, foi responsável pela entrada de US$ 3,5 milhões em 2005, segundo o ministro Jiménez. Em 2006, dados do Banco Central dominicano mostram que os turistas estrangeiros gastaram, em média, US$ 102,72 por dia e permaneceram no país por cerca de nove noites. A taxa média de ocupação no ano foi de 73%.

#I1# Baleia à vista

Mas se a idéia for mesmo relaxar e curtir um o sol e o mar procure por uma região que possa propiciar uma experiência diferente. Na cidade de Río San Juan, por exemplo, há praias desertas e a atração principal, a Lagoa Gri-Gri que se liga ao mar. Playa Dorada, condomínio que reúne 15 resorts, já é conhecida pela infra-estrutura completa de centros comerciais, restaurantes e praias. Mas também se destaca pela prática de diversas atividades esportivas, como mergulho, pesca em alto mar e rafting, dentre outras.

Quem gosta de esportes radicais não pode deixar de conhecer Cabarete, também na costa norte. A praia foi eleita uma das dez melhores do mundo para a prática de windsurf. O reconhecimento fez do local a sede do campeonato mundial da modalidade nas categorias profissional e amador, que acontecem em junho. Por ali também é possível praticar montanhismo, vôos de paraglider, ciclismo e caminhada. Por atrair um público mais jovem e esportista, a noite da cidade também é conhecida pela badalação.

Poucos quilômetros ligam Cabarete à baía de Samaná, no nordeste da ilha, que oferece um espetáculo ímpar aos adeptos do dueto sol e mar: a observação das baleias jubarte que chegam à região entre os meses de janeiro e março. Há hotéis estrategicamente colocados para oferecer ao turista a vista dos cetáceos gigantes, mas mesmo quem não tem esse privilégio pode avista-las da areia da praia. Há também excursões que saem do porto diariamente atrás das baleias. A atração delas pelo local não é à toa: a região concentra o Banco de La Plata, plataforma submarina de origem coralina que oferece o ambiente ideal para a reprodução da espécie. Estima-se que cerca de três mil baleias jubarte passem por lá todos os anos em busca de refúgio e proteção. Em 1986 o local foi declarado Santuário dos Mamíferos Marinhos.

Samaná também é perfeita para o ecoturismo por suas paragens paradisíacas que permitem excursões do tipo safári, passeios a cavalo e prática de esportes radicais. É lá que está a Cascada El Limón com seus 55 metros de queda d’água e a deslumbrante ilhota de Cayo Levantado, também conhecida por lá como Ilha Baccardi devido à gravação de um comercial para a marca. Enquanto a nova estrada não fica pronta (a previsão de entrega é para meados de 2008) o acesso por terra é difícil: a viagem desde Santo Domingo leva cerca de quatro horas. O problema de locomoção foi resolvido em parte com a inauguração do Aeroporto Internacional de El Catey, em novembro do ano passado. Com investimentos de US$ 70 milhões, o novo aeroporto já está operando com aeronaves de grande porte, pista com três quilômetros de extensão e capacidade de entrada e saída de 1500 passageiros por hora.

A capital, Santo Domingo, é outro destino que não pode ficar fora de um roteiro ao país, principalmente para quem se liga em turismo cultural. Dentre as principais atrações está a Cidade Colonial, rica em história nos mais de 300 monumentos preservados e cercada por um muro de pedras erguido no ano de 1502. Estão por lá construções do século 16, dentre elas, a primeira catedral da América (Santa Maria la Menor, na Plaza Cólon, onde chegam rotas de peregrinos), a primeira fortaleza e a primeira escola, todas sobre simpáticas ruas de paralelepípedo.

Uma das principais lendas dominicanas conta que no século 18, as catacumbas enterradas embaixo da catedral foram abertas para serem transportadas a um local adequado. Foi quando encontraram os restos de Cristóvão Colombo, com a placa de identificação dentro do tumulo. “Como era comum roubarem túmulos de personalidades, na ocasião de sua morte, esconderam a lápide para que ele não fosse reconhecido”, explicou Carlos Romero, relações públicas do Ministério do Turismo.

O conjunto arquitetônico e cultural fez com que a zona colonial fosse tombada pela Unesco, em 1992, como Patrimônio da Humanidade. E é também nessa parte da cidade que estão os tradicionais charutos artesanais que rendem ao país o título de maior exportador de cigarros feitos à mão do mundo. Segundo Jiménez, apesar da fama do país vizinho, a República Dominicana já ultrapassou Cuba nesse quesito há cerca de sete anos. Fora das paredes de pedra, a cidade contemporânea traz construções novas, dezenas de cassinos e toda a sorte de acontecimentos de cidades grandes, como comércio informal e população sem-teto. Nada que descarte a visita.


Casa Colonial Crédito: Camila Lucchesi

#I1# Hotelaria em alta Desde a instalação do primeiro hotel da rede Barceló, em meados nos anos 1980, a hotelaria dominicana cresceu muito. Hotel é o que não falta no país: são aproximadamente 70 mil leitos espalhados pelo país, sendo a maioria resorts que trabalham no sistema all inclusive, com diárias a partir de US$ 80 e direito a comida, bebida, aulas de dança, acesso a cassinos, campos de golfe, aulas de mergulho, aluguel de caiaques e muito mais. Mas ainda há espaço para crescer. Além da já saturada Punta Cana, os hoteleiros vislumbram um novo horizonte: a baía de Samaná. Pelo menos é essa a aposta da rede Bahía Príncipe, pertencente ao grupo espanho Piñero, que inaugurou recentemente quatro resorts de luxo em distintos pontos da baía, concentrando 923 apartamentos. O investimento total na aquisição e remodelação dos empreendimentos foi de US$ 60 milhões. Os novos hotéis são o Gran Bahía Príncipe Cayacoa, o Gran Bahía Príncipe Samaná, o Gran Bahía Príncipe El Portillo e o Gran Bahía Príncipe Cayo Levantado. Esse último, com 191 quartos, deverá se transformar em referência turística na pequena ilha de Cayo Levantado. A construção seguiu conceitos de sustentabilidade para não acabar com a beleza desse paraíso tropical e possui desenho e estilo colonial. Outra linha que tem crescido bastante no país é a de hotéis-boutique, sendo o Casa Colonial, em Playa Dorada, um dos destaques por ser o único dessa categoria na costa norte. Inaugurado em 2004, o cinco estrelas tem apenas 50 suítes, todas de frente para o mar. A área de lazer tem piscina, quatro jacuzzis, um bar e spa internacional com 400m2. As diárias para desfrutar de todas essas mordomias custam a partir de US$ 400.


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