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Viagens magníficas que você quer fazer – e nem imaginava

Há destinos na Bolívia e no Japão que a gente jamais pensa em conhecer até saber que existem – e que são simplesmente o máximo. Selecionamos dois roteiros que saem do convencional. O Salar de Uyuni, na Bolívia, surpreende e encanta com seu cenário ímpar formado pela brancura do deserto de sal em contraste com o céu azul, sua lagoa cor de sangue onde vivem flamingos cor-de-rosa e pela cultura local. Em um roteiro mais que especial do Japão, você vai muito além de Tóquio. Essa experiência inclui inesperadas hospedagens em um ryokan e no mosteiro do Monte Koya, banhos em termas naturais e passeios por aldeias incrivelmente preservadas, onde vai conhecer a rica história japonesa

SALAR DE UYUNI, UMA SURPREENDENTE BOLÍVIA
Uau! Essa será a primeira palavra que você irá pronunciar ao pisar no Salar de Uyuni (ou Salar de Tunupa) – e se não for exatamente essa, certamente, fará alguma outra declaração espontânea que possa expressar aquele sentimento que mistura encanto e surpresa. Localizado nos departamentos de Potosí e de Oruro, no sudoeste da Bolívia, na borda da Cordilheira dos Andes, esse é o maior e mais alto deserto de sal do mundo.
Possui vastos 10 582 quilômetros quadrados de extensão e está a 3 656 metros acima do nível médio do mar. Para dar ideia da imensidão que esses números representam, basta lembrar que esse é o único ponto natural brilhante que pode ser avistado do espaço. Não por acaso, serviu de orientação para os astronautas da Apollo 11, que chegaram à Lua em 1969.
Ali, a formação do Salar é resultado das transformações ocorridas em diversos lagos pré-históricos devido ao levantamento da Cordilheira dos Andes, que criou uma barreira entre o Altiplano boliviano e o Oceano Pacífico. De acordo com especialistas, o fato de ser cercado de montanhas por todos os lados impediu o escoamento da água. Ao longo do tempo, a evaporação da água, somada a camadas de sedimentos, formou uma crosta, onde há cerca de 42 mil anos estava o gigantesco Lago Minchin.
Mas pergunte a algum morador da área indígena local como se deu o surgimento desse imenso deserto de sal.
Provavelmente, ele irá lhe contar outra versão, bem mais poética, sobre como o Salar de Uyuni foi formado. De acordo com a lenda aymara – como são conhecidos os índios dali –, as montanhas Tunupa, Kusku e Kusina, que circundavam a região, eram pessoas gigantes. Tunupa casou-se com Kusku, mas ele fugiu para ficar com Kusina. Entristecida com a perda do seu amor, Tunupa começou a chorar enquanto dava de mamar para seu filho. Suas lágrimas se juntaram ao leite e formaram o Salar. Tunupa é uma importante divindade regional e, por essa razão, a localização também é conhecida como Salar de Tunupa.
Atualmente, seu terreno fértil é a principal via de transporte em todo o Altiplano boliviano e ali vivem várias espécies de flamingos cor-de-rosa. A geologia rara e a fauna espetacular tornaram esse destino ímpar.
Existem dois roteiros para o Salar. Se puder tirar oito dias de férias, você vai conhecer, antes de chegar a esse lugar único, as encantadoras cidades bolivianas de La Paz, Sucre e Potosí.
O início da viagem é em La Paz, capital federal da Bolívia, com direito a uma visita ao famoso Vale da Lua e uma volta de teleférico, de onde poderá contemplar a vista panorâmica. Na sequência, você irá a Sucre, capital constitucional do país. Nela, irá curtir o Parque Bolívar e conhecer o belo Museu La Recoleta, antigo convento franciscano. No interior desse mosteiro, uma pintura da última Santa Ceia, logo na entrada, nos convida a percorrer o espaço que abriga um grande acervo de pinturas dos séculos 18 e 19.
Outra atração é a Igreja San Felipe Nery, de estilo neoclássico, construída entre 1795 e 1799, pelo Frei Antonio de San José. Para erguer o edifício, que chama a atenção pela alvura, foram usadas pedras do Monte Churuquella e depois cobertas com uma camada de estuque. Faça uma pausa na torre do sino e tenha para ver de cima a linda Sucre.
Perto dali, poderá conhecer as pinturas rupestres nos sítios arqueológicos de Incamachay e Pumamachay, em Chuquisaca.
Em Potosí, você vai visitar as minas de garimpo, atualmente administradas pelos próprios mineiros. Foi nessa região que, na época colonial, se extraiu boa parte da prata que fez a riqueza da Espanha.
A cidade, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, tem muito para agradar: a Igreja de San Lorenzo, a Torre da Companhia de Jesus, o Arco de Cobija e a Casa da Moeda.
Quando chegar ao Salar de Uyuni, no seu sexto dia de viagem, você será recebido com um saboroso almoço na Ilha do Pescado (também conhecida como Incawasi). O local é um inesperado oásis com formação de algas e fósseis, coberto por uma imensa quantidade de cactos – alguns com mais de 100 anos e já ultrapassando os 12 metros. Também poderá ir ao Museu do Sal, primeiro hotel de sal da Bolívia, que preserva as antigas características – inclusive as esculturas de, é claro, sal.
O roteiro termina no Deserto de Siloli, considerado um dos mais áridos do mundo, a sudoeste do departamento de Potosí. Suas formações rochosas, resultantes dos fortes ventos que sopram na região, são de uma beleza única.
A próxima parada será na incrível Laguna Colorada (ou Lagoa Vermelha), já na fronteira com o Chile. Sua cor de sangue se deve à mistura de sedimentos vermelhos e de algas na água. Vai ser difícil não se impressionar com várias espécies de flamingo cor-de-rosa.
Da Lagoa, você vai avistar o Vulcão Licancabur, que está a quase 6 mil metros de altitude, no Deserto do Atacama, divisa com a Chile. Hito Cajon, fronteira entre Bolívia e Chile, é a última parada antes de você retornar para casa com a mala repleta de fotos e de experiências incríveis.
Se o seu tempo é curto, fazer o roteiro de três dias é uma ótima opção. Você começará a viagem em San Pedro de Atacama, no Chile, e seguirá para Hito Cajon, localizada na Bolívia. E já entra com os dois pés direitos, passeando pelo Parque Nacional Eduardo Abaroa. São mais de 700 mil hectares, localizados a sudoeste de Potosí, província de Sud Lipez, onde vive uma grande diversidade de animais.
De lá, fará um percurso de paisagem deslumbrante até chegar à lindíssima Laguna Colorada.
Após esse passeio, o destino será Uyuni, onde irá se hospedar. No outro dia, você vai ver a extração de sal feita com métodos tradicionais em Colchani. Curiosidade: é lá que se processa grande parte do sal consumido na Bolívia.
O almoço será na Ilha do Pescado, que recebeu esse nome por ter o formato de um peixe. A seguir, seu rumo será o fantástico Deserto de Siloli. Depois dessa aventura, o merecido descanso no conforto do hotel para, no dia seguinte, retornar a San Pedro de Atacama.

UM JAPÃO QUE POUCOS CONHECEM
Você jamais será o mesmo depois de se hospedar em um ryokan. Trata-se de um tipo de pousada tradicional japonesa que existe desde o século 8 d.C., durante o Período Keiun, para servir aos viajantes que percorriam estradas japonesas. Dificílimos de encontrar em Tóquio e em outras grandes cidades do país, eles ainda existem e geralmente estão localizados nas montanhas ou perto do mar, onde a paisagem é linda. Se você já ficou empolgado, saiba que essa será apenas uma das muitas experiências incríveis que vai ter ao embarcar neste roteiro de 14 dias no Japão.
A viagem começa em Tóquio, uma das maiores megalópoles do planeta e cidade altamente tecnológica – embora preserve seu passado histórico. Um passeio pelo Jardim Hama-Rikyu, localizado no distrito Chuo, é prova desse contraste entre passado e presente na capital japonesa. Cercado por edifícios modernos e reluzentes, ele foi construído durante o Período Edo (1603-1868).
Sua paisagem é composta de flores coloridas. Entre as atrações do Hama-Rikyu está Shio-iri-no-ike, lagoa com água do mar. Nela habitam peixes marinhos, entre eles, a tainha riscada, a enguia e o caboz, além de caranguejos. Existem também duas kamobas, construídas no século 18, para caçar patos.
A próxima visita será Nihonbashi, a “Ponte do Japão”. Ela é considerada o centro do Japão e é o marco zero para todas as principais estradas do país. A área concentra bancos, empresas e comércio. A loja de departamentos Mitsukoshi Main Store Nihonbashi, conhecida com a alcunha de Harrods do Japão, está lá, com seus produtos sofisticados.
Desse ponto de Tóquio você vai para Ginza, outra famosa área comercial de luxo da cidade, com muitas lojas de departamento de renome internacional, butiques, restaurantes e cafés localizados nas proximidades. É considerada uma das ruas mais caras, elegantes e luxuosas do mundo. O passeio continua até o Grand Meiji, santuário xintoísta, religião japonesa ligada à família imperial.
Bem perto, está Harajuku, área de Tóquio frequentada por jovens de estilo alternativo. Prepare-se para ver uma variedade de pessoas com cabelos, maquiagens e modelitos extravagantes.
Saindo de Tóquio, você vai conhecer a pequena e atraente cidade de Obuse, na província de Nagano. Escolhida pelo famoso artista Katsushika Hokusai, renomado xilogravurista do Período Edo. Autor da célebre obra A Grande Onda de Kanagawa, passou os últimos anos de sua vida ali. Não por acaso, vários destaques da cidade estão relacionados ao artista e seu patrono, incluindo o Museu Hokusai e o Museu Takai Kozan, no centro da cidade, e o teto pintado de um templo local.
Em Obuse você vai visitar Masuichi-Ichimura, destilaria de saquê fundada em 1755. E vai conhecer o processo de produção dessa típica bebida japonesa.
O roteiro segue e a próxima parada é em Yudanaka Onsen, uma tradicional vila de águas termais. Curiosamente, ela é mais conhecida por seus macacos-das-neves, porque lá perto fica o Jigokudani Monkey Park, onde moram cerca de 200 desses macacos, que começaram a frequentar o local para tomar banho na fonte quente para espantar o frio do rigoroso inverno e se tornaram habitués.
Ainda em Nagano, você irá a Matsumoto conhecer seu castelo, um dos mais completos e bonitos entre todos os castelos originais do Japão.
Desse ponto você vai seguir para o Vale de Kiso, ao lado das montanhas dos Alpes Centrais, até alcançar a pequena cidade de Narai, um exemplar súper bem preservado de uma cidade-posto no antigo caminho de Nakasendo entre Quioto e Tóquio – ou Edo, como a cidade era conhecida no período feudal.
Após uma breve viagem de trem, você vai visitar Tsumago, outra cidade-posto situada na antiga trilha Nakasendo. Atualmente, é considerada uma das cidades mais bem preservadas do Japão. Tsumago recria a atmosfera da cidade postal mantendo seu honjin e wakihonjin. Em todas as cidades dos correios, o honjin era a principal pousada e servia aos funcionários do governo que viajavam. Quando mais alojamentos eram necessários, os wakihonjin serviam para acomodar os viajantes de menor status.
Passeie pelas suas charmosas ruas e saboreie gohei-mochi, bolas de arroz cobertas com uma pasta doce de missô, gergelim e nozes. Aproveite para visitar o Museu do Folclore.
Percorrendo o Passo de Magome, trilha que leva até a cidade vizinha de Magome, a 8 quilômetros de Tsumago, você irá encantar-se com a paisagem da floresta e do campo, passando por fazendas, campos de arroz, casas tradicionais e belos jardins.
De Magome você vai para Takayama, cidade localizada na região montanhosa de Hida, na província de Gifu. Ela também é chamada de Hida-Takayama para diferenciá-la de muitas outras cidades que levam o mesmo nome.
Sua arquitetura tradicional está muito bem conservada e seu artesanato é muito prestigiado. Não deixe de reservar um tempo para relaxar tomando um revigorante banho de águas termais. O mercado, com suas coloridas barracas de legumes, picles e lembranças artesanais, vale uma visita.
A atração mais relevante é Yoshijima Heritage House, uma antiga fábrica de saquê com preciosa estrutura de madeira e um interior arquitetônico refinado, considerado um Tesouro Cultural Nacional importante.
Passeie por Sanmachi Suji, um conjunto de três ruas principais no coração de Takayama. Seus edifícios têm mais de 300 anos e estão bem preservados. Muitos ainda funcionam como restaurantes, lojas de lembranças e depósitos de saquê.
A aldeia de Ogimachi, situada na área de Shirakawa-go, a noroeste de Takayama, é seu próximo destino. Na vila é impossível não admirar as casas gassho-zukuri, Patrimônio Mundial da Unesco desde 1995. São grandes casas de madeira com telhados de colmo íngremes projetados para resistir à neve pesada – o termo gassho-zukuri se refere aos telhados em formato de mãos em oração.
Para ir a Quioto, você fará uma parte da viagem de ônibus – até Kanazawa – e depois de trem para o destino final. Na cidade você vai conhecer o distrito de Gion, famoso por seus muitos ryotei (restaurantes particulares exclusivos) e pelas geiko (gueixa de pleno direito) ou maiko (aprendiz de gueixa). Também vai visitar a Ponte Sanjo-ohashi, no extremo oeste da antiga trilha de Nakasendo.
Prepare-se para conhecer Kinkaku-ji, o Pavilhão Dourado, oficialmente chamado Rokuon-ji. Ele é um dos templos budistas zen mais populares do Japão e foi construído pelo shogun Ashikaga no século 14 como um lugar de contemplação e descanso. Ele está entre os 17 locais que compõem os Monumentos Históricos da Antiga Quioto, que são Patrimônio da Humanidade.
No Templo Ryoan-ji, você vai ver de perto seu famoso jardim de pedras de cascalho e suas 15 pedras cobertas de musgo. Tanto o templo quanto o jardim fazem parte dos Monumentos Históricos da Antiga Quioto, além de serem reconhecidos como Patrimônio Mundial da Unesco.
A antiga cidade de Nara, que precedeu Quioto como capital do Japão, de 710 a 784, fica a uma hora ao sul de Quioto por trem. É para lá que você segue nessa fantástica viagem.
Surpreenda-se com o Templo de Todai-ji, um dos mais significativos do Japão. Ele foi construído em 752 para ser o principal entre todos os templos budistas provinciais japoneses.
O salão principal de Todai-ji, o Daibutsuden (Grande Salão do Buda), é o maior edifício de madeira do mundo, apesar do fato de, hoje, ter apenas dois terços do tamanho original, após ser reconstruído em 1692. O enorme edifício abriga uma das maiores estátuas de bronze do Buda sentado (Daibutsu), com espantosos 15 metros de altura.
Em seguida, seu passeio pode continuar pelas ruas estreitas do antigo distrito mercantil de Nara-machi, onde estão lojas, cafés e restaurantes. Ou, se preferir, poderá fazer uma caminhada pela estrada secundária de Todai-ji até o Templo Kasuga Taisha. Continue sua aventura fazendo uma viagem de trem para Osaka ao longo da cênica Nankai Railway Line, que leva você ao Monte Koya, um vale em forma de tigela cheio de cedros no alto das montanhas da Península Kii. Desde o século 9, a área tem sido um local de devoção religiosa e palco de cerimônias. Hoje existem mais de 100 mosteiros, muitos dos quais têm shukubo, hospedagem típica de peregrinos e viajantes. E você terá a chance de hospedar-se em um dos elegantes templos, onde vai degustar um legítimo jantar shojin-ryori, cozinha vegetariana budista.
Na região está o cemitério Okuno-in, local do Mausoléu de Kobo Daishi (também conhecido como Kukai), o fundador do budismo Shingon e uma das pessoas mais reverenciadas na história religiosa do Japão. Também estão lá milhares de sepulturas e memoriais para os senhores feudais e outros luminares do passado.
Este deslumbrante roteiro termina com a emocionante viagem de trem-bala, que você fará ao retornar para Tóquio via Osaka.

QUEM LEVA
Auroraeco Viagens
www.auroraeco.com.br

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