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Especiais

PRESERVAÇÃO À AMERICANA

Nos parques do Sea World, na Flórida, a conscientização ambiental é despertada com interação e tecnologia
Laís Clemente Laís Clemente

Crianças se encantam com a aparição de uma orca

O espaço não está cheio, mas os 15 presentes assistem atentamente ao espetáculo. No palco, um procedimento cirúrgico acaba de ser realizado. Duas assistentes ajudam o veterinário enquanto ele termina de atender o paciente: Penny, canguru fêmea, com uma pata quebrada. Um vidro nos separa do local onde a ação acontece, mas através de um comunicador nós, os espectadores, podemos fazer perguntas ao médico, que as responde em um microfone tipo headset, usado durante todo o procedimento.

Ao final, Kelly, uma das assistentes, aproxima o bichinho do vidro, ainda grogue pela anestesia, para que possamos vê-lo de perto. E é só ao ouvir os suspiros, aplausos e outros ruídos de admiração que um observador menos atento pode identificar que não somos estudantes de veterinária. Somos turistas.

Procedimentos como esse acontecem todos os dias no Animal Care Center do Busch Gardens, em Tampa, no estado americano da Flórida. O calendário de consultas fica exposto para que o turista possa se programar e assistir ao tratamento que quiser. Aberto em janeiro deste ano, o espaço é uma das iniciativas do grupo para aproximar turistas e animais.

Consulta finalizada, passamos para a sala seguinte, onde acontecem aulas de gastronomia. Os ingredientes da lição de hoje são: pinha, pasta de amendoim, uvas e… larvas? A receita, indigesta para o organismo humano, é um quitute para os animais do parque. Nessa aula de culinária, a maioria do público é composta por crianças com nove e dez anos. Todos uniformizados, com camisetas cor de laranja que os identificam como parte do Acampamento Sea World, oferecido durante as férias escolares.

Ótimo programa para uma geração versada no mundo virtual, mas que raramente sabe que o leite que toma não vem de uma caixinha. Mas se engana quem pensa que nós, adultos, temos mais intimidade com a natureza. É só observar o brilho nos olhos de pais e mães, que em pouco (ou nada) diferem do encanto das crianças ao alimentar golfinhos ou acariciar girafas.

ESPÉCIES RARAS

Procedimento em curso no Animal Care Center que funciona dentro do Busch Gardens, em Tampa

Pescoçudos do reino animal podem ser vistos em um dos safáris do Busch Gardens. Na natureza, as girafas correriam do jipe que nos transporta, mas aqui Jafari, uma das 17 girafas do parque, se aproxima prontamente. Puro interesse. O que ela quer são as folhas de alface que carregamos. O programa pode durar entre 40 minutos e um dia inteiro e, dependendo da disponibilidade, com guias que falam espanhol.

Não fosse pelo tamanho, Jafari poderia ser um dos 126 animais embaixadores, bichos dóceis e de espécies raras que fazem aparições surpresa em todos os parques da rede. Aline Delucia, uma das biólogas do parque, explica que para ser embaixador não basta ser de uma espécie exótica, mas “depende da mensagem que queremos passar”. Já acostumados com flashes e criados por humanos, os bichos escolhidos estão sempre acompanhados de seus treinadores, que dizem se podemos os acariciar ou alimentar.

As outras girafas nos observam de longe, ainda sem saber se podem confiar. Depois de muito acariciar e levar algumas lambidas do bicho, avistamos zebras di Grant e rinocerontes. O último é cobiçado pelos caçadores por seu vistoso chifre, parte do corpo que é pura queratina. O objetivo é tão banal que choca: as peças geralmente são misturadas a sopas e chás, já que muitos africanos creem que o chifre tem poder afrodisíaco.

A bióloga Aline e a girafa Jafari em Busch Gardens

CAMPO DE EXPERIÊNCIAS

Se observar rinocerontes e grupos de zebras de pertinho já é emocionante, fica difícil descrever as interações que acontecem no Discovery Cove, parque descrito como um campo de experiências. A mais famosa delas acontece com os golfinhos, com os quais se pode nadar e alimentar. Acontecimento para guardar na memória. O dia de trabalho dos amigáveis bichinhos tem carga horária de 45 minutos, vale-alimentação (mínimo de uma sardinha para cada truque feito) e liberdade de ir e vir sem ter de bater cartão.

Outro animal marinho é o foco da mais nova atração do Sea World, parque que também dá nome ao grupo. Nela é a tecnologia que nos aproxima da experiência real. Em uma sala de cinema com tela em formato de redoma, como em um planetário, somos levados a uma jornada em três dimensões, vendo o mundo sob a perspectiva de uma tartaruga: desde a saída do ovo, passando pela corrida para chegar ao mar e a fuga dos predadores naturais… Ou nem tão naturais.

Dan Conklin, um dos especialistas em tartarugas do parque, conta que o lixo jogado no mar é a principal causa de ferimentos entre os animais resgatados pelo programa de preservação dos parques, o Fundo de Conservação Sea World e Busch Gardens. O projeto já resgatou 20 mil animais, entre eles pássaros, peixes boi e tartarugas. A maioria é tratada e devolvida para a natureza, mas os animais que estão debilitados demais para voltar para casa são adotados pelo Sea World. Os visitantes também podem contribuir para o projeto: no momento da compra do ingresso, temos a opção de doar parte do valor pago ou contribuir diretamente no site do grupo.

Safári em Busch Gardens

FERAS À DISTÂNCIA

Turistas podem alimentar os cangurus...

... ou os golfinhos participando das experiências propostas nos parques

Os animais que são perigosos demais, classificados como classe um, não têm nenhum tipo de contato direto com os visitantes. Nessa categoria estão os guepardos, animais que ganharam um espaço exclusivo em 2011. Por ser o mais recente, é também o programa mais procurado. Os bichanos até batizaram uma montanha russa, a Cheetah Hunt, que imita os movimentos deles em uma caçada. O brinquedo é só uma entre as várias montanhas russas que dividem a atenção dos turistas em Busch Gardens. Cada uma proporciona uma adrenalina diferente: velocidade, sensação de voo, de queda livre… Assim como o cinema hollywoodiano, que se aperfeiçoa para se tornar cada vez mais sensorial, nos parques do Sea World não basta ver para ser real, tem de se tocar, sentir, viver.

A jornalista Laís Clemente viajou a convite do Sea World

Para saber mais 

Se quiser visitar os parques citados na reportagem, a dica é comprar o passe para o Discovery Cove, válido para entradas ilimitadas por 14 dias consecutivos, que também inclui ingresso para Sea World e Aquatica. Custa entre US$ 229 e US$ 329, dependendo da temporada. Pagando mais US$ 20 é possível acrescentar o Busch Gardens à lista. Ingressos individuais para Sea World e Busch Gardens custam US$ 84,99 (US$ 76,99 para crianças) cada um. Os safáris são pagos à parte e duram entre 40 minutos e um dia. Os preços variam de U$ 33,95 a U$ 249,95.

Sea World Parks & Entertainment: http://pt.seaworldparks.com

Contato com os pássaros em Discovery Cove

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