tamanho da letra : imprimir
Espaço Sebrae

Comércio justo e solidário promove inclusão social

Filosofia adotada em todo o mundo beneficia 4 mil produtores de seis estados do nordeste

Sistema garante melhores condições de troca para produtores em desvantagem comercial Crédito: Divulgação/Sebrae

Receber remuneração justa por seu trabalho eliminando, ao mínimo necessário, a figura dos intermediários. Para muitos produtores, essa situação não passa de um sonho. Mas o que muitos também não sabem é que esse sonho já faz parte da realidade de trabalhadores espalhados pelo Brasil. Como? Por meio do Comércio Justo e Solidário, uma nova filosofia de sustentabilidade econômica e ecológica.

O sistema, conhecido também como fair trade, é adotado mundialmente para garantir melhores condições de troca para produtores em desvantagem comercial e valorizar produtos feitos dentro de princípios como respeito ao meio ambiente, condições dignas de trabalho e inclusão social. O Sebrae, em parceria com a ONG Visão Mundial, tem participado dessa nova filosofia e apoiado o desenvolvimento de diversas ações de sucesso nos campos do artesanato e do agronegócio, entre outros.

Em outubro de 2006, de acordo com balanço de técnicos das duas instituições, as ações desenvolvidas já beneficiavam 4 mil produtores de seis estados do Nordeste: Pernambuco, Bahia, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará. Em Petrolina (PE), os integrantes da Associação dos Pequenos Produtores de Manga Brasil estavam em processo de negociação com a empresa holandesa Agrofair e receberam lições sobre como exportar.

Eles aprenderam que, antes de tudo, é preciso fazer contato com o importador. Caso haja interesse, os produtores devem enviar pelo correio uma amostra com cinco mangas e aguardar a análise. Se gostar do produto, o importador virá ao Brasil conhecer o processo de produção e negociar formas de pagamento. Também é fundamental certificar a manga com o selo Fairtrade Labelling Organizations International (FLO).

Esse caminho pode até ser demorado, durando às vezes um ano, mas representa as exigências do mercado internacional, e quem pretende atuar em comércio justo precisa saber disso. O caso da manga é apenas um entre dezenas de exemplos bem-sucedidos que estão acontecendo a partir do projeto do Sebrae com a Visão Mundial.

A expectativa é que ao final do projeto, previsto para o mês de maio, o comércio justo no Brasil esteja bem mais difundido e praticado. De acordo com a gerente de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, Raissa Rossiter, o projeto em parceria com a Visão Mundial é mais uma entre as várias atividades do Sebrae sobre o tema. “Além do apoio que já oferecíamos a várias dessas comunidades, fizemos uma pesquisa sobre o perfil do consumidor em comércio justo e lançamos um livro com termo de referência sobre o assunto”, destaca a gerente.

#I1# Vídeos no ar

Uma das ações do projeto converteu-se em outra parceria. Dessa vez com o Canal Futura e com o Fórum de Articulação do Comércio Ético e Solidário (Faces do Brasil). O trabalho conjunto dessas três instituições resultou na produção da série Comércio Justo e Solidário, uma iniciativa inédita no Brasil, que começou a ser veiculada em 5 de março, pelo Canal Futura e pela TV Globo, e será transmitida até 7 de maio. O programa é composto por 30 casos reais de produtores e empresas que atuam dentro dos princípios e critérios de comercialização e consumo justos e solidários no país.

O primeiro programa da série apresentou duas histórias exemplares de comércio justo: o café de Poço Fundo, em Minas Gerais, por meio da Cooperativa de Agricultores Familiares de Poço Fundo (Coopfam); e o suco de laranja de Itápolis (SP), com a Cooperativa dos Agropecuaristas Solidários de Itápolis (Coagrosol). Outra história registrada na série é a da Associação dos Pequenos Agricultores do Município de Feira de Santana (Apaeb), na Bahia. As iniciativas que surgiram com a aplicação do comércio justo e solidário hoje geram resultados concretos para toda a comunidade, como investimentos em educação e treinamento, geração de renda, preocupação com o meio ambiente.

O artesanato mineiro produzido pela Central Mãos de Minas, uma comercializadora de artesanato que busca alternativas para acessar mercados, também conta com o apoio do projeto. Cada vez mais, os integrantes dessa central procuram atuar de acordo com os princípios do comércio justo para conseguir acessar mercados no Brasil e no exterior. Em Mato Grosso, três cooperativas – Dom & Arte, Fibra Nativa e Cores do Algodão – passaram a ter acesso a novos mercados por meio da organização democrática e com respeito ao meio ambiente, valorizando o que o estado tem de melhor: a riqueza da fauna e flora do Pantanal e da cultura regional mato-grossense.

Outras experiências de sucesso com histórias em comum também fazem parte da série. É o caso da Cooperágua, uma cooperativa com 66 famílias associadas que já movimentou R$ 500 mil, no Vale do Ribeira, em São Paulo; e da Cooperativa Rio-Grandense de Laticínios e Correlatos Ltda. (Corlac), no Rio Grande do Sul. Ambas, depois de uma crise, criaram várias oportunidades que hoje dão condições justas de trabalho a pequenos produtores, geram emprego e renda e movimentam a economia local.

Do Rio Grande do Norte, são destacadas as experiências de cooperativas de mel e castanha-de-caju localizadas na Serra do Mel: a Coopercaju, a Apismel e a Rede Abelha. As três cooperativas são exemplos de como a união e a articulação de pequenos produtores fazem a diferença na hora de buscar mercados. Outra experiência apresentada na série é a da Justa Trama, que tem uma ampla linha de montagem. Por exemplo, o algodão é colhido no Ceará, as tintas são da Amazônia, a fiação e a montagem dos tecidos são feitas em São Paulo, e as roupas são produzidas em Itajaí, Santa Catarina.

Além da parceira com a Visão Mundial, o Sebrae conta com o apoio de várias instituições no projeto Comércio Justo, como Canal Futura, Ética – Comércio Solidário, Faces do Brasil, União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e Ministério do Desenvolvimento Social.

Comentários


Deixe um comentário




O comentário não representa a opinião da revista Host&Travel; a responsabilidade é do autor da mensagem