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Entrevista

Brasil diversificado

Para Jeanine Pires, presidente da Embratur, o turismo brasileiro fortaleceu sua presença no mercado internacional e o momento é de atenção às oportunidades

Buscar nichos de bom tempo e céu azul em meio à nuvem preta que ronda a economia global exige estratégias. Aguça novas percepções por parte dos países emergentes que disputam fatias do mercado de turismo internacional. No caso do Brasil, a catarinense Jeanine Pires, no comando do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) desde 2006, tem nas mãos um importante desafio: encontrar caminhos para manter o turismo como uma das principais fontes de divisas, apesar das incertezas do cenário mundial. Experiência em promoção no exterior não falta à ex-diretora de Turismo de Negócios e Eventos da instituição, habituada a enxergar os números com olhos clínicos. Entre janeiro e agosto de 2008, os desembarques internacionais aumentaram 3,81% em relação ao mesmo período de 2007. Na entrevista abaixo, Jeanine explica como as estatísticas traduzem a imagem mais forte do país no exterior e aponta as expectativas em torno da nova campanha publicitária Brasil Sensacional!, lançada em setembro com objetivo de ressaltar a diversidade do turismo brasileiro e fazer com que, até 2010, Estados Unidos e mais 11 países conheçam um Brasil que vai além do carnaval e do futebol.

#I1# Host – Em sua avaliação, a imagem atual do Brasil como destino turístico internacional é diferente da de tempos atrás, quando éramos conhecidos como país do carnaval?

Jeanine Pires – Trabalho no turismo brasileiro desde 2003 e posso afirmar que desde então a mudança é significativa. A situação política e econômica estável ajuda de forma extremamente positiva a construir essa imagem, porque contribui para desfazer idéias pré-concebidas, como a de que o Brasil não tem infra-estrutura turística. Antes, nossa referência lá fora era como o país do futuro; agora, somos o país do presente, com uma economia que se consolida e tem papel cada vez mais importante no cenário internacional. Temos também domínio de tecnologia em áreas estratégicas, como petróleo, biocombustíveis e indústria aeronáutica – avanços comentados no exterior. O turismo se beneficia desse contexto e concentra os esforços no mercado onde temos atuação consolidada.

#I1# Host – Pela sua experiência, é possível identificar na mídia internacional alguma mudança de tratamento dispensado ao turismo no Brasil?

Jeanine – Sim, nos sites de turismo as referências sobre o país aumentaram em freqüência e qualidade. Isso é resultado de um trabalho que combina diversas ações: caravanas de agências, operadoras e jornalistas, participação em eventos e campanhas de publicidade, como a Brasil Sensacional! que absorverá US$ 88 milhões até 2010 para tornar o Brasil mais conhecido em todos os mercados prioritários.

#I1# Host – Quais são esses mercados prioritários e que características, como a distância geográfica, interferem nessa estratégia?

Jeanine – Na América do Sul, Argentina, Chile e Peru são de altíssima prioridade. E também os Estados Unidos e países da Europa, como Portugal, Espanha, Itália, França, Reino Unido e Alemanha. São, ao todo, 13 países com os quais temos uma relação mais sólida, embora em situações diferentes. Não há como comparar o mercado norte-americano, por exemplo, como o argentino que, aliás, tem muito por crescer. Também não podemos comparar o fluxo do turismo no Brasil com o da Espanha e França. O turismo internacional se concentra nas viagens de curta e média distância dentro de um mesmo continente. Mesmo no mundo globalizado, no qual a cada ano é maior o número de pessoas que viajam, os europeus continuam se deslocando dentro da Europa e os americanos continuam viajando dentro da América do Norte. Podemos comparar o Brasil com a Austrália e a Índia, porque são países distantes, têm destinos diferenciados.

#I1# Host – O turismo de sol e mar representa 50% do movimento de estrangeiros no Brasil. Em que outros nichos o país pode se destacar no mercado internacional?

Jeanine – O turismo de negócios como um todo é a maior alternativa, porque segue o ritmo da economia, além do segmento de eventos. Há também nichos potenciais no Brasil, como o do ecoturismo, o do turismo náutico e o de golfe, por exemplo.

#I1# Host – Em termos de promoção do Brasil, em sua opinião, quais são as dificuldades que ainda temos a superar?

Jeanine – É preciso mudar o perfil jurídico e o modelo de gestão da Embratur para que possamos avançar. Necessitamos de mais agilidade e competitividade para promover o turismo brasileiro no mercado internacional. O governo reconhece o peso do turismo para a economia, mas são urgentes mecanismos para facilitar parcerias com o setor privado nacional e internacional.

#I1# Host – Em que medida a crise financeira que atinge os EUA e os países europeus, que são mercados prioritários, pode influenciar negativamente o turismo?

Jeanine – Em todo cenário de crise, precisamos estar atentos e nos preparar em dois caminhos. Primeiro, reforçar ainda mais a nossa estratégia – ou seja, não podemos botar as barbas de molho. A crise é um momento de cautela, mas também de oportunidade. O segundo ponto é olhar para os diferentes países e entender como vão reagir a esse momento. A princípio, a expectativa não é de mudança, pois os principais mercados emissores para o Brasil são de clientes de poder aquisitivo alto, que já têm a viagem internacional na cesta habitual de consumo.

#I1# Host – Sobre esse poder aquisitivo maior, nos últimos anos, o gasto médio do turista estrangeiro no Brasil aumentou. Quais segmentos mais se beneficiaram?

Jeanine – De fato, em agosto de 2008 entraram no país US$ 499 milhões com o turismo estrangeiro, 16% mais que no mesmo mês do ano passado. O número é US$ 5 milhões superior ao verificado em 2005, quando o ingresso de turistas do exterior no Brasil foi recorde. Certamente, o gasto maior tem sido com hotelaria e alimentos, seguidos dos setores de entretenimento e serviços. A tendência é essa fatia aumentar, pois em 2008 a previsão é termos entre 3% e 5% mais desembarques internacionais do que no ano anterior.

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