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Editorial

Turismo, de fato, sustentável

Muitos estão cansados de saber o que é turismo sustentável, outros se confundem e pensam se tratar apenas de um tipo de turismo que preserva a natureza. Mais do que poupar a natureza — o que é importantíssimo –, o turismo sustentável abrange também aspectos ambientais, culturais, sociais e econômicos, todos intimamente ligados. A Revista Host tem como principal objetivo ajudar a disseminar esse conceito para que todos que trabalham no turismo brasileiro estejam alertas, preocupados e concientes de que só com um turismo sutentável nos quatro âmbitos estaremos construindo um segmento de nível para o Brasil e para nosso negócio.

Sustentabilidade ambiental parece mais fácil de se compreender. Basta preservar o meio ambiente, ou seja, cuidar para que cada destino seja visitado por um grupo consciente e guiado por monitores esclarecidos que nao violentem os destinos. É importante atentar para detalhes como o limite de pessoas para visitar um local e a preocupação com a escolha e formação de guias que possam explicar os benefícios de se preservar os destinos.

Já a sustentabilidade cultural, muitas vezes, é mal compreendida. Que os viajantes desejam conhecer a cultura local, é fato, mas se desvirtuarmos esta cultura e trouxermos a música e o artesanato de outros locais essa tradição local se perde. Com isso, perdemos também alguns dos chamarizes que atraem os turistas ao destino em questão. Recentemente fui a Nazare das Farinhas, na Bahia, onde existe uma importante feira de caxixis, cerâmica típica da região. Foi uma enorme frustração chegar lá e encontrar apenas bugigangas do Paraguai e da China. Os shows, em vez de resgatarem a musicalidade regional, exaltavam apenas o pagode, que nada tem a ver com a cultura local. Em suma, foi um desatre. Afinal, para comprar bugigangas bastava eu ir à Rua 25 de Março, em São Paulo, e mesmo para ouvir pagode eu não precisaria viajar para tão longe.

Aí é que entra a sustentabilidade social, aquela que se preocupa em cuidar das pessoas da comunidade onde o destino esta inserido. Para isso, valoriza a cultura local, o artesanato local, a indústria local e gera empregos que possam se sustentar no longo prazo. Mantendo as tradições, os produtores de caxixes não precisam se transformar em vendedores de quinquilharias chinesas e nem os pescadores devem romper com a atividade que aprenderam com seus pais para ocupar postos formais de trabalho e arcar com os prejuízos do fim de uma tradição. Se as atividades locais não são estimuladas, perde- se a referência e a tradição do ensinanento de pai para filho acaba resultando na não continuidade da atividade nas gerações seguintes.

A sustentabilidade econômica serve para que todas as idéias relacionadas ao turismo que estejamos criando sejam sustentáveis como negócio e não apenas sonhos que, na prática, não durem. Quantos sonhadores abriram uma pousada ou uma operadora de receptivo pensando que tudo daria certo, mas se frustraram? Nossos negócios turísticos precisam de respaldo econômico e, nesse tocante, entidades como o Sebrae e consultores autônomos podem ser vitais para ajudar a visulmbrar as reais oportunidades para empreendermos.

Um negócio turístico — seja um hotel, seja uma locadora de veículos — que englobe essas quatro áreas estará construíndo um turismo que pode ser chamado de sustentável em toda a amplitude do conceito. Ele será um grande distribuidor de renda e riqueza a todos. É notório que um roteiro bem cuidado atrai turistas mais sofisticados, ávidos por consumir aqueles destinos, provar da hospitalidade dos alojamentos, experimentar os quitutes locais e comprar os produtos típicos, envolvendo, assim, toda a cadeia.

Nesse universo, todos ganham: o turista se sente feliz, os negócios prosperam, as pessoas da comunidade evoluem, o meio-ambiente é preservado e a cultura local terá recursos e fôlego para continuar sendo divulgada. Vamos nos unir e trabalhar para construir um turismo realmente sustentável no Brasil que progrida, distribua riqueza, valorização e felicidade.

Bons negócios.

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