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Editorial

Onde está a crise?

Flavio Mendes Bitelman Publisher & Editor fbitelman@revistahost.com.br

As notícias que vêm do hemisfério norte não são das melhores. A crise deflagrada nos Estados Unidos vem derrubando as bolsas de valores por todo o mundo, elevando o valor do dólar a patamares preocupantes e deixando os economistas à beira de um ataque de nervos. Com as finanças em crise, um dos primeiros setores a sentir seus impactos é o turismo. Com pouco dinheiro no bolso e muita preocupação na cabeça, a primeira atitude dos consumidores é limar o supérfluo de suas despesas. E, por mais prazerosa que uma viagem seja, ainda assim é um luxo, algo que se faz quando o orçamento familiar está um pouco mais fortalecido.

Ainda não é possível mensurar os impactos da crise, mas os números da Organização Mundial do Turismo (OMT) já demonstram uma diminuição no crescimento da atividade e dão pistas de que o maior impacto deve ser sentido no ano que vem. Cabe a cada mercado garantir suas demandas turísticas aquecidas. No caso do Brasil, a crise pode produzir um efeito contrário, ao menos internamente. A tendência é que o turismo doméstico seja beneficiado, pois os brasileiros que aproveitavam o câmbio vantajoso para viajar para o exterior, agora devem optar por destinos nacionais, com medo das oscilações do dólar. E como a crise estourou às vésperas da alta temporada, quando os turistas começam a se preparar para as férias de fim de ano, é bem provável que a maioria deles assista à queima de fogos em alguma paragem tupiniquim. Opções não faltam. É o momento de o trade se mobilizar e perceber as oportunidades que podem surgir com a crise.

Segundo previsões da Embratur, mesmo depois que a turbulência passar, a tendência é que a moeda norte-americana não volte a valores tão baixos, se estabilizando entre R$ 1,85 e R$ 2. Ou seja, tudo se movimenta no sentido de que a balança do turismo esteja cada vez mais equilibrada, com o interno mais fortalecido e a queda na procura por destinos internacionais. O número de turistas estrangeiros, especialmente norte-americanos, que vêm ao Brasil deve diminuir, mas torçamos para que essa diminuição seja compensada em parte com o aquecimento do mercado interno.

Que cada um tenha discernimento suficiente para identificar e aproveitar da melhor maneira as oportunidades advindas da crise.

Boa leitura e sorte para todos nós!

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