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Destino Brasil – Espírito Santo

Um giro pela Serra

Ainda desconhecidas por muitos turistas, as montanhas capixabas proporcionam experiências enriquecedoras em turismo cultural, histórico e opções de aventura

Memorial da família Lorenção que exibe as certidões originais dos primeiros imigrantes italianos que chegaram à região

Frio no Espírito Santo? Sim, basta subir a serra. O estado que é mais conhecido por seu litoral também conta com uma região montanhosa privilegiada. Títulos não faltam para as cidades que formam a rota do Sol e das Montanhas, um dos produtos turísticos do estado. Viana é o portal de entrada para a serra e se destaca pela preservada cultura açoriana; Marechal Floriano é conhecida como a Cidade das Orquídeas. Com atmosfera romântica, Domingos Martins se orgulha de suas origens alemãs e tem em seu território um atrativo especial aos amantes do ecoturismo. Berço do agroturismo no Brasil, em Venda Nova do Imigrante é impossível não se contagiar com a alegria dos descendentes de italianos que povoam a região há gerações. Não à toa, a cidade remete a boas conversas e gastronomia melhor ainda.


Estátua do heroi capixaba Domingos Martins

O bacana é que a mudança de clima acontece rapidinho: apenas 40 minutos separam as praias da capital Vitória -- ponto de partida da rota -- do friozinho típico da serra. Aliás, que fique bem claro: faz frio de verdade, principalmente no inverno e durante a noite, quando os termômetros chegam a registrar 10ºC. Em outras épocas do ano, as temperaturas ficam na casa dos 20ºC naquele esquema típico de serra: quente durante o dia e mais fresco quando o sol se põe.



Em estilo germânico, o pórtico de entrada de Domingos Martins já dá pistas da força que esse povo exerce no município. Basta um passeio pela praça central para que as suspeitas sejam confirmadas. Enquanto crianças de cabelos loiros correm, os mais velhos conversam em uma língua desconhecida para a maioria. “É pomerano”, explica a guia de turismo enquanto eles seguem conversando e se divertindo com a curiosidade dos passantes.



A natureza abundante também exalta a vocação de Domingos Martins para o ecoturismo, seja na prática de esportes de aventura em seus rios e cachoeiras ou, especialmente, nas paisagens bucólicas do Parque Estadual de Pedra Azul. Com estrutura aberta ao público que inclui centro de visitantes e duas trilhas que passam por mirantes e piscinas naturais. Criado para proteger a fauna e a flora locais, o parque tem como ícone a pedra de 1822 metros de altura que lhe dá nome: uma formação de granito e gnaisse, rocha composta pelo acúmulo de sedimentos de vários outros tipos de pedras e minerais. O curioso é que a pedra nem sempre é azul já que a coloração depende da incidência de luz solar nos líquens. Ela pode ser verde, alaranjada ou amarela, mas na maior parte do tempo se mostra acinzentada. Esse fato não compromete em nada o impacto de vê-la pela primeira vez, ainda na estrada, tamanha sua imponência. Presa ao volume maior fica a Pedra do Lagarto, formação que remete ao réptil.



Os Ronchi são bons exemplos de agroturismo na região de Pedra Azul, mas a atividade teve seu impulso inicial no município vizinho de Venda Nova do Imigrante. Mais especificamente, na Fazenda Carnielli. Desde sua chegada ao Brasil no século 18, a família se dedicava à agricultura de subsistência e café para venda. O negócio foi bem até o início dos anos 1980, quando o custo de vida foi aumentando “mas a renda não aumentava”, lamenta Danilo Carnielli. Foi quando um dos irmãos pensou em aliar o turismo à produção agrícola na tentativa de aumentar a renda familiar. “Café dava dinheiro uma vez por ano, enquanto mostrar o processo produtivo e vender artigos artesanais em casa poderia valer mais”, lembra. Em 1987, a família apostou na ideia e abriu as porteiras da fazenda, aproveitando a mão-de-obra familiar. Estava criado o conceito de agroturismo, oficializado seis anos depois. De forma simplista, a atividade consiste em compartilhar o modo de produção e os costumes do meio rural aos interessados da “cidade grande”.



Para aproveitar o friozinho da montanha e apostando na tradição musical herdada dos antepassados, Domingos Martins realiza anualmente um concorrido festival de inverno. Normalmente realizado na última semana de julho, o evento transforma a pacata cidade de 32 mil habitantes em um destino disputado por cerca de 50 mil turistas de várias partes do país. A primeira edição aconteceu em 1992 com o objetivo de resgatar a musicalidade comum aos imigrantes alemães que povoaram a região. De uns anos para cá o evento tomou rumos diferentes: o objetivo maior é ensinar música erudita e popular por meio de oficinas instrumentais e pedagógicas aos jovens de todo o país. As aulas são ministradas por grandes nomes da música brasileira, a maioria atuante em conservatórios e com vivência internacional como a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Sara Cohen, considerada por muitos a maior autoridade brasileira em percepção musical, e Henrique Cazes, referência mundial no cavaquinho.



Para os adultos, relembra charmosos (e saudosos) tempos. Para as crianças, propicia novas experiências e sensações a descobrir. Independente da idade, diversão e conforto são itens garantidos a bordo do Trem das Montanhas Capixabas, nova opção turística na região serrana do Espírito Santo. Incomum nos dias de hoje, a velocidade reduzida privilegia a observação da paisagem diversa que mescla o mar capixaba, cachoeiras e refúgios de Mata Atlântica preservada com visuais tipicamente serranos. Prova de que às vezes vale a pena diminuir o ritmo.



Em Venda Nova do Imigrante, a alegria do Coral Santa Cecília é contagiante



Confira os roteiros de agroturismo que visitam produtores de cachaça, café, laticínios, morangos, mel...



: A sede da cooperativa de produtores rurais vende a produção das famílias e serve como posto de informações turísticas



#I2# Como chegar Azul (3003-2985 e www.voeazul.com.br), GOL (0300-1152121 e www.voegol.com.br) e TAM (0800-5705700 e www.tam.com.br) comercializam o trecho aéreo entre as principais capitais brasileiras e o aeroporto Eurico de Aguiar Salles, em Vitória. Da capital, é possível acessar as cidades da rota via rodoviária (pela BR-262) ou combinar o trecho rodoviário com ferroviário. Na primeira opção são 103 quilômetros até Venda Nova do Imigrante, último município do roteiro. Na segunda opção, o visitante percorre 22 quilômetros na mesma BR-262 até Viana, embarca no Trem das Montanhas Capixabas até a estação final de Marechal Floriano e volta à rodovia para completar o trecho de 57 quilômetros até Venda Nova.


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