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TANTO MAR

No litoral sul fluminense, uma das cidades mais antigas do Brasil esbanja beleza natural
Camila Lucchesi Camila Lucchesi

Praia do Dentista, na Ilha da Gipóia

O ano era 1502 e as caravelas comandadas pelo português Gonçalo Coelho avançavam de Porto Seguro (BA) para o sul. Estavam lá por um simples motivo: garantir a existência das riquezas relatadas por Pedro Álvares Cabral nas terras recém-descobertas. Após alguns dias de navegação, a surpresa. Uma bela enseada surgiu no horizonte e chamou a atenção de Américo Vespúcio, integrante da esquadra. “Algumas vezes me extasiei com os odores das árvores e das flores e com o sabor destas frutas e raízes, tanto que pensava comigo estar perto do paraíso terrestre”, relatou em carta ao rei de Portugal, Dom Manoel. Anotaram a exata localização e, por ser dia 6 de janeiro, chamaram aquele local de Vila dos Santos Reis Magos.

O conjunto que encantou Vespúcio continua exercendo sua magia sobre os visitantes. Afinal, a natureza foi especialmente generosa com esse pedaço de terra que acabou conhecido como Angra dos Reis. Seu cenário é composto por nada menos que oito baías, 365 ilhas e 2 mil praias. Lendas sobre piratas, navios naufragados com exploração permitida, a riqueza adquirida em mais de 500 anos de história, trilhas em meio à Mata Atlântica, rios e cachoeiras reforçam seu arsenal turístico. Contemplação é um esporte praticado ali há séculos, enquanto outros começaram a ganhar adeptos mais recentemente, como o rapel e o trekking.

As praias

Ilha de Cataguases

A melhor maneira de conhecer a região é de barco. Contrate o passeio com uma agência ou frete uma lancha. A segunda opção garante independência para decidir o itinerário, além de mais conforto a bordo. Uma hora de locação custa cerca de R$ 350 para grupos de até seis pessoas E não é preciso se afastar muito do centro para conhecer lindos trechos de praias, algumas bem tranquilas, outras mais badaladas, um punhado de ilhas e muitos pontos para mergulho.

Em apenas 30 minutos chega-se à Praia do Dentista ou Jurubaíba, na ilha da Gipóia, uma das mais procuradas no verão. A belíssima Cataguases, formada por uma dupla de ilhas de areias finas e mar transparente, também fica bem perto. Com um pouquinho mais de tempo chega-se às Botinas, duas formações rochosas cobertas por vegetação, um dos cartões-postais de Angra.

Há vários pontos para mergulho com cilindro, incluindo naufrágios históricos, mas quem passeia debaixo d’água equipado apenas com máscara e snorkel não se decepciona. Cardumes de peixes coloridos de várias espécies estão sempre por ali, bem como estrelas-do-mar. Com sorte, dá para ver tartarugas e cavalos-marinhos.

Mas o continente também tem seus lugares especiais, com litoral abrigado dos ventos e do mar aberto pela presença da Ilha Grande à frente. As praias do Bonfim, Biscaia e Grande são boas pedidas. A três quilômetros da região central, a primeira tem águas calmas e a presença de uma pequena capela em uma ilhota à frente, a Ermida do Bonfim, a algumas braçadas de distância. Com mar tranquilo e estrutura de quiosques, a segunda praia é uma das mais procurada por famílias com crianças. Na última, a frequência maior é de jovens em busca dos bares com música ao vivo.

O centro

Vila do Abraão, na Ilha Grande

Histórica, a região central costuma passar batida pelos turistas. Mas já é hora desta realidade mudar. O ideal é reservar ao menos um período para conhecer o centrinho de Angra dos Reis, repleto de construções dos séculos 16 e 17. O passeio pode começar pelo conjunto da Praça General Osório – com jardins projetados pelo renomado paisagista Roberto Burle Marx na década de 1960 – e seguir pelos rumos indicados na bem sinalizada rota de pedestres.

Caminhando pela Rua do Comércio, antiga Rua Direita, chega-se à Igreja de Santa Luzia. A capela de linhas simples foi construída em 1632 por uma senhora como pagamento de uma promessa. Foi a matriz da cidade até 1750 quando foi inaugurada uma igreja maior, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Outra construção religiosa que chama a atenção é o conjunto formado pelo Convento São Bernardino de Sena e Capela da Ordem Terceira de São Francisco, inaugurado em 1659, desativado em 1911 e reconstituído três anos depois. O casarão fica no alto de um morro e tem vista privilegiada para a região central, com o mar de fundo.

Não deixe de visitar também o Museu de Arte Sacra que funciona dentro da Igreja da Lapa, de 1752. O acervo reúne duas mil peças como pratarias e imagens que datam do século 17 ao início do século 20.

Ilha Grande

Mergulho na Lagoa Verde, Ilha Grande

Uma visita a Angra dos Reis não fica completa sem a travessia até Ilha Grande, esconderijo preferido de piratas nos séculos 17 e 18. Se estiver com o tempo apertado, reserve pelo menos dois dias para conhecer uma parte dos atrativos do local que não ganhou o nome à toa. É mesmo a maior ilha da baía de Angra, com 193 km2. Lá estão cerca de cem praias, algumas consideradas das mais bonitas do Brasil, como Lopes Mendes.

Para chegar lá, esqueça o carro. Ele terá de pernoitar em um dos estacionamentos próximos ao porto de Angra dos Reis. Compre um bilhete na barca municipal ou negocie com um dos barqueiros o transporte em lancha rápida. O desembarque acontece na simpática vila do Abraão, centro de comércio e do agito na ilha. Pousadas, mercadinhos, restaurantes, bares… Tudo fica por ali. É também de lá que partem os passeios de barco e algumas das trilhas que levam a rios, cachoeiras e praias.

(Para um contato inicial – tirar,) Vale dedicar um dia inteiro para Lopes Mendes. O acesso é feito por trilha (cerca de 3 horas de caminhada) ou barco até a praia do Pouso, mais caminhada de 20 minutos. O esforço é compensado logo que se vê o mar azulzinho contrastando com a areia que se estende como um tapete branco por três quilômetros. No outro dia, contrate o passeio marítimo que propõe várias paradas, geralmente nas lagoas Azul e Verde (ótimas para mergulhos com snorkel) e nas praias de Freguesia de Santana e Japariz. Mas se estiver com tempo – e dinheiro – de sobra invista-os no roteiro conhecido como Volta à Ilha, que revela paisagens incríveis e de difícil acesso como as praias do Caxadaço e Parnaioca.

Uma das cachoeiras escondidas na Mata Atlântica

Sinalização da rota de pedestres no centro histórico

Convento de São Bernardino de Sena e Igreja da Terceira Ordem de São Francisco, do século 18

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída em 1750

A Igreja da Lapa reúne o acervo do Museu de Arte Sacra

Imagem de Nossa Senhora da Conceição, do século 16

Chegada de barco à praia do hotel Vila Galé Angra

Mas nem só de praia vive a ilha. Quem quiser diversificar, pode conhecer a cachoeira da Feiticeira e a Gruta do Acaiá, que esconde em seu interior um verdadeiro espetáculo de luz. O acesso à fenda na rocha é apertado, mas vale para observar a incidência dos raios de sol que colorem a água do mar numa fresta ao fundo. O tom por vezes é azul, outras verde, mas sempre cintilante graças ao fenômeno da luminescência. Na volta para casa, pensando na diversidade natural de Angra dos Reis, fica fácil provar a teoria de Américo Vespúcio. Se o paraíso não é aqui, deve estar bem pertinho.

A jornalista Camila Lucchesi viajou a convite do Angra Convention & Visitors Bureau, Litoral Verde Viagens e Vila Galé Resort Angra

Lobby do Vila Galé Angra

Roteiro

CRÉDITO MAURO NAKATA

COMO CHEGAR

Angra dos Reis (RJ) fica na Costa Verde a 410 km de São Paulo (SP) e a 160 km do Rio de Janeiro (RJ). O melhor caminho para quem sai da capital fluminense é a BR-101, a partir de Santa Cruz. Da capital paulista, o visitante acessa a via Dutra (BR-116) até Barra Mansa (RJ) e segue pela Rodovia Saturnino Braga (RJ-155). Um aeroporto comporta pequenas aeronaves particulares. www.angraaeroportos.com.br e (24) 3365-8863

QUANDO IR

A cidade pode ser visitada durante o ano todo, mas é nos meses de verão que vive o pico da estação. As temperaturas sobem, o número de turistas aumenta e as chuvas de fim de tarde são comuns – um alívio para amenizar o calor intenso. Entre fim de março e maio, o clima ainda é agradável e as praias estão mais tranquilas. No meio do ano a temperatura fica mais amena, mas ainda é possível curtir dias agradáveis de sol, com um friozinho à noite. Entre agosto e outubro o risco de chuva é menor, os dias são mais claros e o número de visitantes é menor.

HOSPEDAGEM

Vila Galé Eco Resort (Angra): Na Estrada do Contorno, a 7 km do centro da cidade, tem 319 apartamentos com varanda. O sistema all inclusive permite ao hóspede curtir o parque aquático com mais de 1.500 m2 enquanto desfruta de petiscos servidos o dia todo na Casa da Fazenda. Conta ainda com dois restaurantes, um à la carte que requer reserva antecipada, e outro em sistema buffet, bares e uma pequena boate. Os tratamentos oferecidos no Spa Satsanga são cobrados à parte. www.vilagale.pt e (24) 3379-2801

Novo Frade (Angra): Inaugurado na década de 1970 com apenas 16 quartos e uma marina, o hotel fica na praia do Frade, a 30 km do centro de Angra. Tem hoje 56 apartamentos e 4 suítes, todos voltados para o mar, restaurante, piscina, bar e heliponto. www.hoteldofrade.com.br e 0800-8819500

Meliá Angra Marina & Convention Resort (Angra): Fica na ponta sul, na praia Canal do Pimenta e oferece 210 apartamentos divididos em cinco categorias, com hospedagem em sistema all inclusive. Tem piscina, quadras, sauna, praia privativa, restaurante e dois bares. www.melia.com e (24) 3421-1100

Sagu Mini Resort (Ilha Grande): Combina a conveniente localização – em um recanto protegido na enseada da Praia Brava – com serviços de primeira e apenas nove quartos. www.saguresort.com e (24) 3361-5660

GASTRONOMIA

Como os passeios mais procurados percorrem as ilhas, a região está repleta de bons restaurantes instalados em pedaços de terra no meio do mar. A maioria abre todos os dias para almoço e funciona em determinados dias, mediante reserva, à noite.

Cais da Ribeira: Localizado à beira mar, na praia do hotel Pestana Angra Beach Bungallows, é especializado em gastronomia portuguesa. (24) 3364-2005

Canto das Canoas: Em uma das praias da Ilha da Gipóia, aceita reservas de grupos para confraternizações. Fica a apenas meia hora dos hotéis de Angra e tem cardápio focado em peixes e frutos do mar. (24) 3365-5151

Samburá: No continente, o restaurante também é especializado nas comidinhas do mar. Pratos como peixe com banana e camarão com abacaxi costumam agradar. (24) 3377-2730

Reis e Magos: Fica no Saco do Céu, na Ilha Grande, em um cantinho de natureza privilegiada. O cardápio aposta em peixes e frutos do mar, com destaque para a paella. (24) 9819-1349

OPERADORAS

Angra Way: Opera passeios e traslados regulares e privativos entre São Paulo/Rio de Janeiro e as cidades da Costa Verde (Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty), em saídas diárias que partem dos aeroportos das duas capitais. www.angraway.com.br e (24) 3365-0232

Litoral Verde: Participante do Programa Braztoa de Sustentabilidade, a operadora comercializa pacotes de hospedagem para os melhores resorts de Angra. Com o apoio de uma empresa local, também oferece traslados e passeios na região. www.litoralverde.com.br e 0800-2866606

PARA SABER MAIS

Angra CVB: www.angradosreiscvb.com.br

Turisangra: www.turisangra.com.br

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