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Encantos de Chiloé: um outro país dentro do Chile

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Deixe-se enfeitiçar por esse arquipélago que preserva uma cultura completamente diversa da chilena. Cercado de mar e de colinas, esse deslumbrante destino aos pés dos Andes é perfeito para curtir atividades ao ar livre

Geograficamente, apenas uma estreita faixa de água formada pelo Canal de Chacao separa o Arquipélago de Chiloé do restante do Chile. Mas não é só isso. A história, a gastronomia, as lendas e o modo de vida das cerca de 150 mil pessoas que habitam a região também são outro ponto de ruptura com o país. E elas têm orgulho disso. Converse com qualquer morador de uma das vilas de pesca espalhadas pelas suas 30 ilhas e vai ouvir que não são chilenos, mas chilotes.
Ainda não há um consenso sobre como o arquipélago foi povoado. Há teses variadas. Algumas afirmam que a origem dos chilotes vem dos polinésios, outras sugerem que descendem de mongóis. Também existe a teoria de que os huilliches, “homens do sul”, na língua mapuche, foram os primeiros a povoar a região.
Acredita-se que os huilliches seriam um dos muitos grupos de imigrantes que se instalaram nas ilhas, junto com os chonos, ou “payos”, e os cuncos. Apesar de não haver uma resposta precisa, o mais aceito é que os chilotes originais fizeram contato com os cuncos, huilliches, araucanos e, só depois, com os espanhóis.
Eram excelentes marinheiros e navegavam milhares de quilômetros, desde o Canal de Chacao até ao Canal do Beagle ou desde o Golfo de Penas até a Ilha de Navarino. Tudo a bordo de suas dalcas, espécie de embarcação construída de tábuas. E foi assim que se espalharam pelo arquipélago e cultivaram seus campos.
Nas montanhas, eles produzem até hoje diversas variedades de batata. No mar, pescam, colhem mariscos e algas, e também criam salmões. Ingredientes básicos da gastronomia local.
A Ilha Grande de Chiloé é a maior da região. Ali estão as comunidades de Castro e Ancud, principais centros urbanos. Não espere nada muito moderno. São lugares charmosos, mas rústicos.
Ancud, no extremo norte de Chiloé, tem vários vestígios históricos de fortes espanhóis, construídos para proteger a ilha dos ataques de piratas e corsários. Vários deles, na Costanera Salvador Allende. Aproveite para curtir a vista panorâmica sobre a baía.
Tire um tempo para circular e conhecer o artesanato, outra grande atração. Tecidos de lã de ovelha, esculturas de madeira, trabalhos de couro e muitos objetos feitos de conchas são marcas registradas da arte local.
A cidade mais importante da Ilha Grande é Castro. Em seu porto, atracam navios de todo o mundo. Isso impulsionou o comércio e os festivais de folclore, que atraem viajantes.

SABORES ÚNICOS DA GASTRONOMIA CHILOTA
Um dos pontos altos da região é a gastronomia própria, que pouco tem a ver com a chilena. Não deixe de provar uma das mais famosas iguarias chilotas, o curanto.
Esse prato típico e saboroso tem origem araucana, povo do sul da Argentina. Para fazê-lo, cava-se um buraco de 15 centímetros de profundidade na terra. Dentro dele, são colocadas pedras retiradas dos rios da região. Elas são aquecidas nas brasas de uma fogueira até que fiquem em temperatura de brasa também. Sobre as pedras são colocadas folhas aromáticas, de nalca ou maqui. Por cima, vão os ingredientes: carne de vaca, de cordeiro, porco, frangos, linguiças, batatas, batatas-doces, maçãs e abóboras ocas recheadas com queijo, creme e ervilhas. Tudo isso tampado com as mesmas folhas aromáticas, sobre as quais se colocam lenços úmidos para manter o calor. Aí, tudo é coberto com terra, formando uma espécie de forno a pressão. Fios de fumaça saindo da terra avisam quando a receita está pronta.
O milcao, uma espécie de pão frito feito com batatas raladas, e o chapalele, que tem uma preparação semelhante, mas é cozido, também fazem parte da culinária de Chiloé. E você deve experimentar, porque vale a pena.
Um dos lugares em que pode ter essa experiência é no Mercado de Castro. E já que estará lá, aproveite para conhecer as diferentes formas e cores das batatas chilotas.

ARQUITETURA MULTICOLORIDA
A arquitetura do arquipélago é única. As casas chilotas, construídas sobre palafitas, são feitas de cedro – madeira local. E formam um lindo conjunto multicolorido e repleto de detalhes charmosos.
A Igreja de São Francisco de Castro, localizada na Plaza de Armas, é famosa por suas torres altas com vitrais e por seu interior, construído com madeira.
Na Ilha de Quinchao, onde fica Achao, está a bela Igreja Santa María de Loreto de Achao, de 1730, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. De lá, fica fácil chegar a Curaco de Vélez, que possui mirantes, feira de artesanato e uma arquitetura chilota – e suas casas com telhas feitas de cedro.
Na ribeira da Península de Rilán, a 18 quilômetros de Castro, chama a atenção uma construção contemporânea. Ali, está o Tierra Chiloé, sofisticado hotel com design geométrico e de vanguarda inserido na paisagem deslumbrante da Patagônia.

LUXO E CONFORTO PARA DESCANSAR
Instalado em um terreno com mais de 10 mil hectares, ele oferece uma harmoniosa combinação entre campo e praia, verdes prados, florestas e mar. Apesar do projeto arrojado, a identidade cultural chilota está representada em cada detalhe da decoração.
Ficar hospedado ali pode ser uma excelente opção. Não apenas pelo luxo e conforto oferecidos por esse hotel-butique, com apenas 12 quartos – todos com sala de estar e terraços com vista para o mar, ilhas e Cordilheira dos Andes. Mas pela comodidade dos serviços de uma equipe de guias (cada um atende a grupo de, no máximo, oito pessoas) muito bem preparados e que desenham, sob medida, os passeios que mais combinam com o seu estilo para que você tenha a chance de desvendar a cultura e a natureza de Chiloé, tornando cada dia único.
Fora isso, o hotel possui sua própria embarcação, o Williche, perfeito para você curtir atividades no mar, nos canais e nos fiordes da região.
Cavalgadas, trekking, roteiros de bicicleta e passeios culturais são outras atividades que você pode ter sem se preocupar com o planejamento delas e pensar apenas na diversão.
Para relaxar, você terá o SPA do Tierra Chiloé, com saunas (seca e úmida), sala de massagem, jacuzzi para até oito pessoas e espreguiçadeiras onde pode se acomodar e contemplar o Pantanal de Pullao.

 

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Mitos & Lendas
Ainda hoje, os chilotes preservam um mundo fantástico. Seus mitos e lendas são próprios e ajudam a explicar a história e os fenômenos naturais de Chiloé.
Caicavilu e Tentevilu
De acordo com esse repertório popular, há milhares de anos, a região era terra firme. Até que Caicavilu, cobra do mal, inundou todo o território. Foi aí que apareceu Tentenvilu, cobra do bem, deusa da terra e da fertilidade, que ajudou os chilotes a proteger seus domínios da invasão do mar. Durante anos de luta, Caicavilu elevava o nível da água e, para contra-atacar, Tentenvilu formava colinas. A cobra do bem venceu e, com isso, os vales ficaram enterrados sob o mar e as colinas foram transformadas nas belas ilhas.

Caleuche
Lenda bastante conhecida, o Caleuche é um navio fantasma usado por feiticeiros para navegar à noite. O detalhe é que ele pode fazer isso tanto na superfície do mar quanto abaixo dele, sempre em altas velocidades e muito brilhante. As festas, com muitas danças e músicas, atraem os navegadores que percorrem as ilhas. Uma vez na embarcação,
tornam-se escravos dos feiticeiros, que estão envolvidos com contrabando. É muito difícil achar o navio, porque, quando é perseguido, transforma-se em rocha, tronco de árvore ou algas marinhas. Avistar o Caleuche é o pior que pode acontecer a alguém:
a pessoa fica com a boca torta e com o rosto virado para as costas ou,
em casos extremos, morre.

Voladora
Voladora é uma mulher que pode virar um pássaro para ser mensageira dos feiticeiros. Para isso, ela toma o suco amargo de uma planta chamada hueique. Seus intestinos são mantidos dentro de um pote de cobre. E ela sai voando noite afora, soltando gritos terríveis parecidos com risos exagerados e levando as mensagens. Pela manhã, ela retorna ao lugar em que deixou o pote com suas entranhas. Mas se não as encontrar, permanecerá até o fim da vida – que será breve – como pássaro.

Trauco
Trauco, o mais famoso de todos os mitos das ilhas mora no meio das florestas e seu tamanho é de, no máximo, 90 centímetros. Ele se protege da chuva e do sol com um chapéu cônico e é casado com Fiura. Carrega sempre um machado de pedra, usado para derrubar árvores com apenas três golpes, não importando o tamanho ou a dureza delas. Ao encontrar um homem, pode entortar sua boca ou até matá-lo. Já com as mulheres… ele tem fama de ser um irresistível sedutor. Tanto é que muitas solteiras que aparecem grávidas dizem que a culpa foi dele, capaz de exercer uma enorme atração a ponto de se entregarem – e, caso resistam, são condenadas a ter sonhos eróticos.

Quem leva
Auroraeco Viagens: auroraeco.com.br

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