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Brasil Viajante

Paraísos entre metrópoles

Em algumas só dá para chegar de barco. Em outras, a pé, por trilhas. Entre as duas maiores capitais brasileiras, no litoral vastamente ocupado desde o início da colonização, existem praias ainda virgens e desertas. É difícil imaginar, mas elas lá estão. Resistem bravamente à especulação imobiliária e têm no turismo de qualidade um aliado para ganhar valor e permanecer bem conservadas.

Na região serpenteada pela rodovia Rio-Santos, onde chegamos para reportagens sobre os impactos da urbanização desordenada, descobrimos paraísos intactos onde o verde da Serra do Mar encontra o azul do Atlântico. São cenários explorados com todo cuidado por operadoras de turismo de aventura (www.riohiking.com.br). No município de Paraty (RJ), por exemplo, após deixar o carro no estacionamento do condomínio Laranjeiras, o visitante pega uma trilha de 50 minutos até a Praia do Sono. O próprio nome indica o nível de paz e a tranquilidade do lugar – uma vila caiçara sem acesso por estradas, onde a energia elétrica só chegou em dezembro do ano passado.

A praia foi poupada da devastação por situar-se na Área de Proteção Ambiental de Cairuçu. As montanhas escondem por mais tempo o sol ao amanhecer e o cobrem mais rápido nos fins de tarde – ou seja, o dia demora para nascer e escurece mais cedo, um convite para um sono mais prolongado. À moda antiga, os nativos alugam suas casas, pescam e fazem passeios de barco com os visitantes. Vale a pena provar o peixe frito, capturado fresquinho. Uma curiosidade: a maioria das crianças da escola local fala inglês fluentemente, resultado do trabalho da professora Emily Brown, com apoio de uma instituição americana.

De lá, a travessia por enseadas desertas na borda da Reserva Ecológica de Joatinga alcança a Praia de Antigos, intocável. Mais à frente, se localiza a enseada de Antiguinhos. Depois, está Galheiras, habitada por um morador solitário: o caiçara Luziano Costa, que trocou a pesca pelo trabalho de caseiro numa rústica pousada incrustada na mata: “preferimos continuar vivendo como nossos avós”.

Os cenários inspiram devaneios sobre as belezas da Mata Atlântica antes da chegada dos portugueses, entre São Paulo e Rio de Janeiro. Não faltam exemplos. Além da famosa Ilha Grande e suas mais de 50 praias, com acesso por Angra dos Reis (RJ) ou Mangaratiba (RJ), destaca-se a Restinga de Marambaia, com 43 quilômetros de costa, aberta exclusivamente para militares e suas famílias.

Em Ubatuba, já em território paulista, escunas zarpam da Praia de Toninhas e outras vizinhas para a Ilha de Anchieta, onde há ruínas de um antigo presídio e museu que conta a história do lugar, habitado no passado por índios tamoios e tupinambás. A paisagem compõe um parque estadual, com visitação organizada e trilhas — algumas curtas, outras longas — para praias mansas de águas cristalinas. Lá funciona uma base de pesquisa para conservação de tartarugas marinhas (www.ilhaanchieta.com.br). O refúgio permite uma experiência turística de contemplação e sossego, na despedida do verão.

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